Cristina formaliza convocação de oposição para debate

Conforme havia anunciado, presidente quer discutir reformas para melhorar sistema político argentino

Associated Press,

13 de julho de 2009 | 15h22

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, formalizou nesta segunda-feira, 13, a convocação aos partidos de oposição para um debate de melhoras no sistema político e busca de consensos para que o governo possa passar pelos dois anos restantes de seu mandato sem enfrentar maiores crises. A convocação se dá pouco tempo depois da derrota governista nas eleições parlamentares no país.

 

"Nos propomos a escutar e queremos que nos escutem. Nosso objetivo é trazer propostas diferentes, mas sobretudo melhorar o sistema político argentino. Por isso cremos que este deve ser um diálogo aberto, amplo, não excludente e tendo em conta que estamos a mais de dois anos do início do próximo processo eleitoral", disse o ministro do Interior, Florêncio Randazzo, em uma entrevista coletiva. Randazzo foi quem fez o convite em nome de Cristina.

 

O ministro anunciou que a primeira rodada de negociações acontecerá na quarta-feira, 15, com os representantes de dez dos 50 partidos políticos com representação parlamentar. Randazzo, entretanto, não deu detalhes sobre quais serão esses partidos e confirmou que ele, em sua condição de chefe da pasta institucional, liderará as reuniões.

 

Cristina anunciou a convocação na última quinta-feira, quando foi comemorado o Dia da Independência na Argentina. A iniciativa era reclamada por líderes da oposição desde que foi anunciada a derrota governista nas eleições parlamentares de 28 de junho, nas quais o Partido Justicialista (peronista), perdeu a maioria no Congresso.

 

Os novos parlamentares assumirão seus cargos em dezembro próximo. Segundo Randazzo, as negociações levarão em conta a atual e a futura formação do Congresso.

 

O governo levará à mesa de discussão propostas para fortalecer partidos políticos, e nesse sentido Randazzo destacou a ideia de Cristina de restabelecer o projeto de eleições primárias abertas, simultâneas e obrigatórias para que "os candidatos tenham maior representação e legitimidade". Também será debatido o financiamento de partidos políticos e o sistema eleitoral argentino.

 

A convocação marca as mudanças no estilo de governo de Cristina e seu antecessor, seu marido Néstor Kirchner. "Se somos capazes de levar adiante essas propostas teremos levado o governo e a oposição a começar responsavelmente um caminho de fortalecimento do sistema político nacional argentino", completou Randazzo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.