Cristina Kirchner diz que América Latina precisa de Chávez

Dirigente desempenha um 'papel fundamental' no equilíbrio energético da região, diz candidata argentina

César Illiano, REUTERS

26 Julho 2007 | 13h02

Cristina Fernández de Kirchner, primeira-dama da Argentina e candidata favorita nas próximas eleições presidenciais daquele país, defendeu nesta quinta-feira, 26, o governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e afirmou que o polêmico dirigente desempenha um papel fundamental no equilíbrio energético da região.A senadora deu essas declarações em uma entrevista concedida ao jornal espanhol El País durante uma visita a Madri, cidade pela qual passou como parte de sua primeira viagem como candidata do governo à Presidência.E acrescentou que os mesmos empresários da Argentina ávidos por criticar Chávez em público comentam, quando em particular, sobre os grandes negócios fechados com a Venezuela."No Mercosul há uma cláusula de proteção à democracia. As últimas eleições ocorridas na Venezuela, e vencidas com facilidade por Chávez, foram supervisionadas por organizações internacionais", afirmou a senadora ao responder a uma pergunta sobre como seria sua relação com o líder venezuelano caso venha a ser eleita.Chávez costuma receber duras críticas devido a muitas das políticas públicas de seu governo. O último grande escândalo produziu-se quando o presidente não renovou a concessão de um canal de TV da oposição.O presidente argentino, Néstor Kirchner, tem mantido uma relação de proximidade com Chávez e criou com ele uma forte aliança financeira, por meio da qual vendeu à Venezuela milhões de dólares em títulos da dívida argentina.A relação incluiu também o setor energético, já que a Venezuela vendeu petróleo à Argentina quando faltou gás natural neste país."A equação energética da América Latina não se completa sem a presença da Venezuela e da Bolívia. A América Latina precisa de Chávez como a Europa precisa de Putin. Quando a Venezuela não era dirigida por Chávez, a energia venezuelana não atendia à América Latina, mas aos EUA, e isso em condições leoninas", disse Cristina.

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