Cristina Kirchner pede prudência ao país após anúncio de câncer

A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, que na semana que vem será operada de um câncer na tiróide, demonstrou força nesta quarta-feira em sua primeira aparição pública depois que a doença foi divulgada e pediu a empresários e trabalhadores "prudência e equilíbrio" em suas reivindicações.

GUIDO NEJAMKIS, REUTERS

28 de dezembro de 2011 | 16h46

Cristina deu a entender que está pondo sua saúde a "serviço do país" e pediu aos funcionários que cooperem com o vice-presidente Amado Boudou, que assumirá a Presidência por 20 dias, a partir de 4 de janeiro - data da cirurgia -, num contexto em que sindicatos se queixam de salários e impostos enquanto os empresários estão preocupados com a perda de competitividade da economia do país.

"Quero em primeiro lugar agradecer a todas as demonstrações de solidariedade, de carinho e de afeto de todos os argentinos e também de presidentes amigos (...) Peço ajuda a todos, não para mim, mas para este país. Aos governadores, aos intendentes, para que todos nos esforcemos mais e melhor", disse Cristina, de 58 anos.

A notícia de que Cristina tem câncer na tiróide, sem metástase, foi divulgada na noite de terça-feira pelo porta-voz oficial, abalando o país e desencadeando um amplo movimento de apoio à presidente, a mais recente líder latino-americana com a doença.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, teve o diagnóstico este ano e o do Paraguai, Fernando Lugo, em 2010. A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foram diagnosticados com a doença, mas em momentos em que não ocupavam o cargo.

TRANSFERÊNCIA DO PODER

O anúncio oficial sobre a enfermidade de Cristina ocorre poucos dias depois de ela assumir o segundo mandato consecutivo - em 10 de dezembro -, após vitória esmagadora na eleição de outubro, e pouco mais de um ano depois da morte de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, falecido em outubro de 2010.

Na reunião com governadores programada para a manhã desta quarta-feira Cristina anunciou a ampliação de um programa de refinanciamento de dívidas das províncias. Depois, ela comandou uma cerimônia de promoção de oficiais das Forças Armadas.

A presidente ficará afastada do cargo num mês de férias na Argentina, no qual os poderes Legislativo e Judiciário estão em recesso.

"Não vai ser preciso tomar muitas decisões em janeiro, há férias judiciais (...) Não vejo motivo para uma decisão muito importante na área econômica", disse o analista político Hugo Haime, a uma rádio local.

Os mercados financeiros argentinos operavam com calma, em situação de estabilidade, após o anúncio da doença.

OTIMISTMO MÉDICO

Os médicos estão muito otimistas sobre a recuperação da presidente porque, segundo explicaram, esse é o tipo de câncer com mais possibilidades de cura.

"De 90 a 98 por cento dos afetados ficam curados", disse o oncologista Júlio Moreno a uma rádio local.

O porta-voz da Presidência, Alfredo Scoccimarro, informou ter sido constatada a "ausência de comprometimento nos gânglios linfáticos e a inexistência de metástase" e acrescentou que o câncer foi detectado em 22 de dezembro, durante a realização de "exames médicos rotineiros de controle".

O marido de Cristina, seu antecessor na Presidência, morreu em decorrência de problemas cardíacos.

Ela conquistou popularidade com políticas pró-consumo que estimulam o crescimento do país e amplos programas de ajuda social. No entanto, a dinâmica economia argentina enfrenta um panorama de desaceleração e nas últimas semanas o governo tem sido alvo de duros protestos de sindicalistas.

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