Cristina Kirchner perde mais ministros e reestrutura gabinete

Chefe do gabinete de ministros e titular da Economia deixam governo; baixa é a pior desde derrota eleitoral

Agência Estado e Associated Press,

07 de julho de 2009 | 21h32

A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, anunciou nesta terça-feira, 7, à noite a renúncia do ministro de Economia, Carlos Fernández, e do chefe do gabinete de ministros, Sergio Massa, no que foi interpretado como mais uma sequela da dura derrota eleitoral sofrida pelo governo nas eleições legislativas de 28 de junho.

 

O subsecretário de imprensa, Alfredo Scoccimarro, confirmou em coletiva de imprensa que por ordem de Cristina, Amado Boudou, atualmente no comando da Administração Nacional de Seguridade Social (Anses), será o novo ministro de Economia, enquanto o ministro de Justiça e Segurança, Aníbal Fernández, será o novo chefe de gabinete.

 

O secretário de Cultura, José Nun, também deixou o cargo. Os nomeados assumirão os cargos na tarde de quarta-feira, informou o escritório de imprensa da presidência argentina. Scoccimarro não deu mais detalhes sobre as razões das mudanças e limitou-se a informar que "foi por decisão da presidente."

 

As mudanças de gabinete de governo eram uma possibilidade que se noticiava nos bastidores desde a derrota do governo nas eleições, que custaram ao oficialismo a maioria que tinha em ambas as casas do Congresso. A primeira consequência da derrota eleitoral foi a renúncia do ex-presidente argentino e candidato derrotado a deputado, Néstor Kirchner, do cargo de presidente do Partido Justicialista (Peronista). Dois dias após a renúncia de Kirchner, o secretário de Transporte, Ricardo Jaime, anunciou sua renúncia.

 

Boudou: viés neoliberal

 

Amado Boudou é titular da Administração Nacional de Seguridade Social (Anses), desde o ano passado e um dos responsáveis pelo projeto que estatizou os fundos de pensão. Boudou tem doutorado em Economia pelo Centro de Estudos Macroeconômicos Argentinos (CEMA), instituição identificada com o neoliberalismo e com a Argentina da conversibilidade, regime que vigorou no país durante 10 anos, pelo qual um peso valia o mesmo que um dólar.

 

Boudou é especializado em Administração, mas segundo o jornal Perfil, seus antecedentes como administrador não são os melhores Segundo o jornal, entre dezembro de 2003 a dezembro de 2005, durante o governo do presidente Néstor Kirchner, Boudou era secretário de Fazenda do município Costa e foi quem assinou o Plano Federal de Habitações, lançado pelo ministro de Planejamento, Julio De Vido - que continua no cargo na gestão de Cristina. O projeto teve um final caótico para o município de Costa, onde as casas não foram concluídas.

 

Ainda segundo o jornal, a empresa Cantera FC venceu, em maio de 2005, as cinco licitações para construir as 486 casas no mencionado município até meados de 2006. Mas depois de receber mais de 20 milhões de pesos do valor total do programa, estipulado em 27 milhões de pesos, a empresa abandonou as obras.

 

Nunca houve uma ação legal por parte de Boudou contra a empresa. "Boudou também teve um polêmico desempenho como administrador de duas grandes empresas de serviços de coleta de lixo em Mar del Plata, Pinamar e Villa Gesell: Venturino Eshiur SA e Ecoplata SA. A primeira delas foi à falência quando o contrato foi rescindido", disse o jornal.

 

(Com Marina Guimarães, da Agência Estado)

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