Cristina Kirchner prepara pacto de crescimento econômico

Kirchner buscam acordo com empresários e sindicalistas para conter a inflação e garantir investimentos

Ariel Palacios, do Estadão,

30 de outubro de 2007 | 19h13

A presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner, o presidente Néstor Kirchner e um grupo de assessores do governo estão preparando um abrangente pacto social com o qual esperam proporcionar uma base sólida para que a economia do país siga crescendo. Nos últimos quatro anos, o PIB argentino cresceu 49%. Veja TambémCrítica a eleitorado portenho antecipa tensão da 'era Cristina'Baterista do The Police ironiza Cristina, Bachelet e HilaryKirchner diz que resultado foi uma 'surra' eleitoralCristina defende o Mercosul e deseja sorte para HillaryEduardo Viola: 'Cristina deve se afastar de Chávez' Cristina Kirchner visitará Brasil antes da possePerfil de Cristina  A ambição dos Kirchners, segundo analistas, é obter um compromisso semelhante ao Pacto de Moncloa - o acordo entre partidos políticos, sindicatos e empresários alcançado no final da década de 80 na Espanha que permitiu que o país se desenvolvesse economicamente. A idéia do casal presidencial é fechar o pacto pelo menos até o Natal e, na pior das hipóteses, adiar seu lançamento para o começo do ano que vem. O acordo implicará uma dura negociação para influenciar duas variáveis cruciais para o atual momento da economia argentina: aumento de preços e salários.  A Confederação Geral do Trabalho (CGT) já antecipou que espera aumentos salariais de 30%. O governo, a pedido dos empresários, tenta limitar os reajustes na faixa dos 13%. A CGT argumenta que, para aceitar esse nível de aumento, a inflação não poderia passar dos 6,5% em 2008. Segundo economistas independentes, a inflação real em 2007 ficará na faixa dos 20% - embora o governo assegure que o índice não passará dos 10%. Para que o pacto dos Kirchner funcione, os sindicatos terão de declarar uma prolongada trégua de greves, enquanto os empresários terão de se comprometer com a não aumentar preços.  Investimentos produtivos Outro ponto do pacto seria o compromisso dos empresários de intensificar investimentos na área produtiva. Os empresários, nesse caso, esperam que o governo lhes garanta que não haverá colapsos energéticos, como os que ocorreram entre maio e agosto. Para estimular os investimentos no setor energético, o governo está preparando a liberação parcial das tarifas dos serviços públicos privatizados, congelados desde 2002. O plano dos Kirchners para 2008 - e, se possível, para os dois anos seguintes - é definir um cenário no qual a inflação seja contida e ao mesmo tempo, a economia cresça. O governo tenta garantir um horizonte amigável de longo prazo para que o capital nacional e estrangeiro possa planejar seus investimentos no país.

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