Cristina Kirchner priorizará relações com Brasil e Venezuela

A 15 dias de assumir o poder, apresidente eleita da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner,disse que seu governo vai priorizar as relações com a AméricaLatina, em especial com o Brasil e a Venezuela, vitais pararesolver a equação energética e alimentar regional. Em entrevista publicada no domingo pelo jornal Página 12,Fernández também indicou que os problemas com o Uruguai deverãoser conduzidos com serenidade, à espera de que o TribunalInternacional de Haia resolva a disputa ambiental sobre umausina de celulose no país vizinho. A primeira-dama Argentina disse também esperar que o Brasile o Paraguai dêem o sinal verde para o ingresso da Venezuela noMercosul --integrado também por Argentina e Uruguai--, a fim deconsolidar o posicionamento estratégico do bloco a longo prazo. "A entrada da Venezuela é importante, ainda mais agora, queo Brasil encontrou petróleo. Está a sete mil metros deprofundidade e, para ser rentável, o barril tem de estar a maisde 100 dólares", disse ela a respeito da descoberta de um campode petróleo no Brasil. "No mundo que está chegando, as questões energética e dosalimentos são as que vão determinar as direções mais fortes e,neste sentido, temos grandes oportunidades", acrescentou, ementrevista em sua casa na Patagônia. Cristina descartou a teoria de que sua aproximação aopresidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, a quem prestousua primeira visita oficial, implique em um distanciamento dopresidente venezuelano, Hugo Chávez, que apoiou a Argentinafinanceira e energeticamente durante recentes crises. "Por que a aproximação com o Brasil deveria implicar oafastamento de Chávez, ou minha proximidade com Chávez umdistanciamento do Brasil?", perguntou. Consultada sobre o incidente agora célebre em que o reiJuan Carlos da Espanha, outro aliado político e comercial daArgentina, perguntou por que Chávez "não se cala" durante umareunião de cúpula ibero-americana, ela afirmou: "Teria sidomelhor se não houvesse acontecido". URUGUAI Enquanto o conflito com o Uruguai continua seintensificando, com freqüentes fechamentos de fronteira emanifestações de protesto, Cristina garantiu que manterá amesma linha política fixada por seu marido, o presidente NéstorKirchner, e deixará a solução nas mãos do TribunalInternacional de Justiça. "O conflito, como já disse o presidente Kirchner, seráresolvido pela corte de Haia. Estamos vivendo em meio à grandefrustração, porque não recebemos nenhum gesto por parte doUruguai." A disputa começou há mais de dois anos, com a construção deuma fábrica de celulose da empresa finlandesa Botnia às margensde um rio na fronteira entre os dois países. Desde então, vêmacontecendo disputas diplomáticas, protestos e ameaças. (Por Damián Wroclavsky)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.