Cristina Kirchner receberá exigências de governadores

Líderes devem exigir verba para dívidas; presidente tentará apoio para lei de 'superpoderes' na economia

Ariel Palacios, O Estado de S. Paulo

21 de julho de 2009 | 10h27

Os governadores das províncias argentinas começarão a visitar a presidente Cristina Kirchner a partir desta terça-feira, 21, para exigir mais fundos para enfrentar as crescentes dívidas provinciais e os pagamentos de salários do funcionalismo público. Além, disso, nos últimos dias deixaram claro que pretendem que o governo cumpra as promessas ainda não cumpridas da implementação de uma série de obras públicas feitas durante a campanha eleitoral.

 

Diversos governadores também pretendem uma brecha política que lhes permita emitir novamente as "moedas paralelas", tal como ocorreu durante a crise de 2001-2002, ao longo da qual as províncias, falidas, tiveram que emitir moedas próprias para esquivar a crise.

 

O primeiro visitante será o prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, chefe do governo da cidade, com hierarquia de governador. Macri é o líder do partido de centro-direita Proposta Republicana (PRO), e um dos potenciais presidenciáveis da oposição. Nas eleições parlamentares, os candidatos de Macri arrebataram o primeiro lugar na cidade de Buenos Aires. Na província de Buenos Aires, seus aliados do peronismo dissidente também derrotaram os candidatos a deputado do governo, entre eles, o próprio marido da presidente, Néstor Kirchner.

 

Cristina Kirchner e seu marido e antecessor Néstor Kirchner ignoraram o diálogo com a oposição - e com grande parte de seus próprios aliados - durante os seis anos em que estão no poder. Mas, a derrota nas eleições parlamentares do dia 28 de junho, e a perda da maioria no Congresso Nacional enfraqueceram o casal Kirchner e o obrigaram a iniciar o diálogo. Na semana passada, pela primeira vez desde que Néstor Kirchner tomou posse em 2003, líderes da oposição entraram na Casa Rosada, o palácio presidencial.

 

Na quinta-feira será a vez do governador de Santa Fe, Hermes Binner, que exigirá, em nome dos produtores agropecuários, uma redução dos impostos que o governo aplica sobre as exportações do setor. O "impostaço agrário" foi o pivô do conflito de Cristina com os ruralistas no ano passado. Províncias como Buenos Aires, que produz um terço do PIB argentino estão em graves problemas financeiros.

 

Segundo especialistas, o aumento da pobreza em diversas províncias poderia transformar-se em uma "bomba-relógio" social. Nestas reuniões, a presidente Cristina tentará conseguir dos governadores apoio para renovar os "superpoderes econômicos", denominação do pacote de leis com os quais, desde 2003 os Kirchners conseguem modificar metade do Orçamento Nacional sem necessidade de aprovação do Parlamento. No dia 24 de agosto o Congresso Nacional debaterá a eventual renovação desses poderes especiais. Também começam as reuniões entre empresários, sindicatos e governo para formar o Conselho Econômico e Social, fórum com o qual o governo pretende tentar tirar o país da crise que se aprofunda a cada dia.

 

Crise sindical

 

Os Kirchners também começam a enfrentar problemas em um de seus principais pilares políticos, o sindicalismo. Na segunda, grande parte dos líderes da cúpula sindical criticaram o secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Hugo Moyano, de "excessivo personalismo". Os "Gordos", como são denominados por seu peso na estrutura sindical, acusaram Moyano de somente preocupar-se por seu sindicato, o dos caminhoneiros. "Se Moyano quer continuar no comando da CGT, é preciso que mude", afirmaram. Os "Gordos" são favoráveis a posições mais críticas com os Kirchners e pregam o fim do alinhamento automático que Moyano possui com o casal.

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