Cristina Kirchner se declara vitoriosa e faz discurso às mulheres

Primeira dama chamou as mulheres argentinas a participarem da luta política e se emocionou ao falar do marido

28 de outubro de 2007 | 23h43

Cristina Kirchner se declarou vitoriosa nas eleições argentinas deste domingo, 28, antes dos resultados oficiais. Em seu discurso, a senadora e primeira dama afirmou que sua vitória representa também uma questão de gênero e chamou as mulheres argentinas a participarem da luta política. Cristina agradeceu a todos e se emocionou ao falar do marido, o atual presidente Néstor Kirchner. O clima já era de vitória com os primeiros resultados da boca-de-urna.  Cristina disse que tem "uma dupla responsabilidade" após ser escolhida presidente segundo dados oficiais provisórios do pleito realizado neste domingo."Tenho uma dupla responsabilidade, como presidente e como mulher", afirmou."Convoco minhas irmãs de gênero, donas de casa, mulheres empresárias e profissionais, operárias das fábricas, estudantes das universidades", sustentou. "Sei que podemos desenvolver uma grande tarefa por nossas aptidões especiais, por termos sido cidadãs do privado e do público, por termos articulado o mundo da família e da militância. E por termos feito bem as duas coisas", apontou.  Veja também: Especial: as eleições argentinas Veja galeria de fotos Primeiro resultado parcial dá vitória a Cristina KirchnerBocas-de-urna apontam vitória de Cristina Kirchner no 1º turnoEleição argentina começa com atrasos e 'estresse'Oposição alerta para riscos de fraudes Cristina: 'Não sou Hillary nem Evita'Encerramento da votação na Argentina é adiado Cristina pode ser a segunda mulher a assumir a Presidência da Argentina, e a primeira eleita, após María Estela Martínez de Perón, que em 1974 era primeira-dama e vice-presidente e chegou ao poder após a morte de seu marido, Juan Domingo Perón. A primeira-dama, de 54 anos, insistiu em que é "necessário aprofundar as mudanças" no país. Ao término de seu discurso, Cristina foi saudada ao pé do palco pela ex-candidata socialista à Presidência da França Ségolène Royal. "A Argentina votou. Ganhamos amplamente. Talvez com a maior diferença entre a primeira e a segunda força política desde a chegada da democracia. Isso, longe de nos colocar em uma posição de privilégio, nos coloca em um lugar de maior responsabilidade", afirmou no primeiro discurso da vitória, acompanhada pelo marido e por Julio Cobos, o candidato a vice em sua chapa.  "Quero convocar todos os homens e mulheres da pátria, aos que votaram em mim e aos que não votaram. Há quatro anos e meio vivemos situações difíceis. Coube ao meu companheiro de toda vida assumir o país em circunstâncias muito diferentes: econômicas, sociais e político-institucionais. E realizou a tarefa com pouca representação popular. A idéia não é retroceder ao que já passou. Quero convocá-los para o que temos que fazer agora". Durante todo o discurso, Cristina mencionou várias vezes a gestão do marido.  Até as 23h25 deste domingo, pouco mais de 15% das urnas tinham sido apuradas. Cristina Kirchner aparecia em primeiro lugar, com 42,4% dos votos, seguida de Roberto Lavagna (ex-ministro da Economia do governo de Néstor Kirchner, com 21,1%. Elisa Carrió estava em terceiro, com 18,6%. Ao contrário do resultado da boca-de-urna, que apontava Carrió em segundo e Lavagna em terceiro.  A votação foi concluída às 19 horas (20 horas de Brasília) e o resultado de boca-de-urna divulgado naquele instante apontava para um amplo triunfo de Cristina com 46,3%, seguida por Carrió, com 23,7%. Lavagna aparecia em terceiro, com 13,1%. Segundo a Constituição argentina, o candidato necessita obter mais de 45% dos votos ou 40% e uma diferença de 10% de seu adversário para vencer no primeiro turno. Votação O fim da votação foi adiado por 60 minutos, até as 19 horas locais (20 horas de Brasília), por causa de problemas e atrasos ocorridos durante a eleição. Até as 16 horas (17 horas de Brasília) haviam votado somente entre "35% a 40% dos eleitores" que poderiam votar. Ainda no fim da tarde, as filas em milhares de seções eram enormes e os eleitores estavam irritados com as demoras de mais de uma hora.  A votação começou com atraso porque muitas pessoas que foram convocadas para trabalhar nas mesas eleitorais não compareceram, mesmo sob a ameaça de serem presas, como prevê o código eleitoral. Segundo o diretor do Comitê Nacional Eleitoral, Alejandro Tulio, cerca de 700 voluntários compareceram para ocupar as vagas de mesários e a situação se normalizou cerca de duas horas depois de aberta a votação.  Os resultados da apuração provisória da eleição argentina estão disponíveis no site www.resultados2007.gov.ar a partir das 21 horas (22 horas de Brasília), segundo informações do Ministério do Interior.  Denúncias Denúncias formais de cinco dos 14 candidatos à Presidência da Argentina, por falta de cédulas de votação com seus nomes, prometem provocar muitas polêmicas. A organização não-governamental Fundação Poder Ciudadano informou que recebeu "160 ligações telefônicas, em sua grande maioria de eleitores da Província de Buenos Aires, que denunciavam a falta de cédulas".  A segunda colocada nas pesquisas de opinião, Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, reclamou da demora de encontrar a cédula com seu nome na hora de votar. A candidata à deputada federal Patrícia Bullrich, aliada de Carrió, denunciou a falta de cédulas e defendeu uma reforma política no país, com a inclusão do voto eletrônico. Segundo o diretor do Comitê Nacional Eleitoral, a distribuição das cédulas "não é responsabilidade da Justiça Eleitoral, mas sim dos partidos, que devem distribuir essas cédulas".  O sistema argentino é confuso, já que o eleitor, ao entrar na cabine, chamada pelos argentinos de "quarto escuro", se depara com inúmeras cédulas dos vários candidatos de diferentes partidos para votar. No caso da eleição para deputados e senadores, existe o sistema de listas, chamado de "sábana" (lençol, em português), que tem um cabeça de chapa, que acaba puxando votos para os demais candidatos que o seguem.  A desconfiança sobre o sistema eleitoral argentino tem aumentado o debate sobre a implantação do voto eletrônico no país. Também levou três dos principais candidatos à presidência a pedirem que a Argentina implemente o voto eletrônico. "É importante que a Argentina adote o voto eletrônico, como fez o Brasil, o Paraguai e outros países", afirmou Lopez Murphy. Para o candidato Roberto Lavagna, do UNA (Uma Nação Avançada), a Argentina precisa se inspirar no Brasil e adotar o sistema do voto eletrônico.  Ele avalia que o Brasil foi um "modelo de transparência" e de "agilidade" na última eleição, por exemplo, na disputa do segundo turno, no ano passado. Alberto Rodríguez Saá (Frente Justiça, União e Liberdade) também denunciou a falta de cédulas com seu nome e defendeu o voto eletrônico. (Com AP)

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