Cristina Kirchner vence com folga eleições primárias

Líder argentina conquistou 50,3% dos votos; com este resultado, presidente se aproxima da reeleição em outubro

Efe,

15 de agosto de 2011 | 00h46

Cristina Kirchner vence com 50,7% as eleições primárias argentinas. Em segundo lugar, está Ricardo Alfonsín com 12,5% 

 

 

BUENOS AIRES - A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, venceu no domingo, 14, por ampla margem as inéditas eleições primárias no país, ficando, assim, em uma posição de privilégio para conseguir a reeleição nas presidenciais de outubro.

 

Cristina, líder do peronista Frente para La Victoria, tem 50,7% dos votos, apuradas 96% das mesas eleitorais de todo o país.

 

Em segundo lugar, com 12,19%, está Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín (1983-1989), candidato da Unión para el Desarrollo Social (UDESO), uma coalizão da social-democrata Unión Cívica Radical com setores do peronismo dissidente.

 

Em terceiro está o ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003), da Frente Popular, também um peronista dissidente, com 12,18% dos votos.

 

No entanto, o segundo lugar não estava definido devido à pouca diferença entre Alfonsín e Duhalde, quando ainda faltava apurar um grande número de votos na província de Buenos Aires, o maior distrito eleitoral do país (38% do censo nacional).

"Quero agradecer aos que confiaram (em nós) e aos que não, convidá-los para refletir juntos porque necessitamos da união de todos os argentinos para poder continuar crescendo juntos", disse a presidente frente a seus seguidores reunidos em um hotel de Buenos Aires.

 

Cristina, que conteve as lágrimas mas não escondeu sua emoção, dedicou a vitória a seu marido e antecessor, o ex-presidente Néstor Kirchner, falecido em outubro do ano passado.

 

Uma multidão de jovens ativistas cantou "Néstor não morreu" e "Eu sou argentino, sou soldado do pinguim", apelido do ex-presidente.

Nestas primárias, todas as forças políticas devem reunir 1,5% dos votos válidos para poder competir nas eleições gerais do dia 23 de outubro.

 

Duhalde, acérrimo rival de Cristina nas fileiras do Partido Justicialista (peronista), admitiu a "muito boa eleição" do governante, mas assegurou que dará um "susto" na próxima eleição geral.

 

"As primárias de domingo foram uma semifinal da oposição e os argentinos vão votar em massa em quem ficar em segundo e terceiro nesta eleição", assegurou o ex-presidente que se declarou convencido de que estará em um segundo turno com Cristina.

 

A Constituição argentina estabelece que para ganhar as eleições presidenciais no primeiro turno é preciso reunir 45% dos votos, nível ao qual se aproximou Cristina, ou pelo menos 40% dos votos com dez pontos de vantagem.

 

"Hoje já somos candidatos e começa a campanha para ganhar as eleições do dia 23 de outubro. Tenho certeza de que podemos ganhar as eleições, isto foi um teste geral para definir a nominata dos partidos", assegurou por sua vez Alfonsín, que também felicitou a governante.

 

"Agora começa a campanha a sério, vamos escutar os trabalhadores, empreendedores e diferentes setores sociais para ver se podemos conseguir uma adesão que nos permita chegar à Presidência da república", apontou.

 

Em quarto lugar ficou o socialista Hermes Binner, com 10,38% dos votos.

Implementados por uma reforma política aprovada pelo Parlamento no final de 2009, o pleito realizado neste domingo define as listas de candidatos que concorrerão nas presidenciais e na renovação da Câmara dos Deputados e do Senado.

 

Nestas primárias também foram escolhidos candidatos para as eleições locais que em 23 de outubro acontecem também em quatro províncias, entre elas a de Buenos Aires, onde a apuração andava muito lentamente em vista de que há quase 30 mil candidatos para diferentes cargos eletivos.

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