Cristina Kirchner vota e repudia golpe militar em Honduras

Presidente da Argentina diz que chanceler está em contato com outros países para ação conjunta na OEA

Marina Guimarães, da Agência Estado,

28 de junho de 2009 | 14h26

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, classificou a situação política de Honduras como uma "barbárie" e defendeu a imediata restituição do presidente Manuel Zelaya ao cargo. "Estou sumamente preocupada pela situação de Honduras. Estou em contato com chanceler (Jorge Taiana), que por sua vez, está em contato com os chanceleres dos demais países americanos, para que reclame diante a OEA (Organização dos Estados Americanos) o respeito à carta democrática desse organismo", afirmou.

 

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"Acabam de seqüestrar o presidente constitucional num fato que nos remonta à pior barbárie dos países da América Latina", disse Cristina. "Vamos impulsionar uma reunião da Unasul, embora Honduras não faça parte desse organismo e vamos exigir da OEA o cumprimento incondicional do preceito democrático e a restituição do presidente de Honduras", afirmou. Cristina ressaltou que o golpe militar de Honduras "é um momento muito sombrio que recorda os piores momentos dos latino-americanos", em referência aos inúmeros golpes que os países da região já sofreram.

 

"A comunidade internacional tem que exigir garantias para a vida do presidente de Honduras e a sua restituição ao cargo porque isso é um ato de respeito à democracia e à nossa segurança latino-americana", ressaltou. "É muito importante esse respeito, sobretudo em um dia como o de hoje, onde os cidadãos estão exercendo o direito democrático que é a maneira que deve comportar-se a sociedade", disse a presidente fazendo uma referência às eleições parlamentares que a Argentina realiza nesse domingo.

 

As declarações da presidente argentina foram concedidas em rápida entrevista coletiva à imprensa, logo depois de votar. Cristina votou na cidade de Río Gallegos, Província de Santa Cruz, onde nasceu o marido dela, o ex-presidente Néstor Kirchner, candidato a deputado pela Província de Buenos Aires, e onde ambos começaram a carreira política. Cristina chegou sorridente à sua sessão eleitoral e perdeu vários minutos procurando o documento de identidade na carteira que tirou de dentro de uma elegante bolsa.

 

Exibindo inusual simpatia, Cristina cumprimentou os eleitores, posou para os fotos e autografou uma foto dela. Além disso, beijou todos os mesários e uma criança que se aproximou, contrariando as recomendações do Ministério de Saúde de evitar os apertos de mão e beijos por causa da gripe suína. Cristina repetiu o discurso de que as eleições de hoje são um plebiscito da administração Kirchner. "Todos os argentinos estamos decidindo entre dois modelos, e o mais importante é que se consolida um modelo de trabalho e estabilidade que é o mais importante", concluiu.

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