Cristina mantém 75% dos funcionários da administração anterior

Fenômeno é inédito; nem o ex-presidente Carlos Menem, quando reeleito, manteve essa elevada proporção

Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo,

15 de janeiro de 2008 | 15h41

A presidente Cristina Fernández de Kirchner manteve em seu governo 75% do total de funcionários políticos da administração de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007). O fenômeno é inédito, já que nem o ex-presidente Carlos Menem (1989-99), quando foi reeleito em 1995, manteve essa elevada proporção de funcionários nos mesmos postos. Dos 178 cargos de maior importância, a esposa e sucessora de Kirchner só renovou 44 funcionários. Os restantes permaneceram em seus postos. No máximo, somente sofreram alguma realocação, tal como ocorreu com Aníbal Fernández, que passou do comando do Ministério do Interior no governo Kirchner para o posto de Ministro da Justiça na administração de Cristina. Os analistas afirmam, ironicamente, que a eleição presidencial de outubro do ano passado, quando foi eleita Cristina Kirchner com 45,2% dos votos, não consistiu na eleição de um "novo governo", mas sim, em uma "reeleição com outro residente". Os analistas também sustentam que o casal Kirchner pretende permanecer no poder por longo tempo. O casal já deu sinais de que Kirchner poderia ser candidato nas eleições de 2011. Neste caso, Cristina seria candidata à sua eventual sucessão em 2015. Outra hipótese indica que Cristina poderia apresentar-se à reeleição em 2011. Kirchner, nesta alternativa, esperaria até 2015 para voltar à Casa Rosada. Independentemente da figura do casal Kirchner que esteja formalmente na poder, os especialistas em política sustentam que atualmente a Argentina é governada por uma "presidência bicéfala", já que Néstor Kirchner participaria ativamente das decisões do governo, da mesma forma em que Cristina teve um papel ativo - e crucial - durante a presidência do marido. A biógrafa não-oficial da presidente, a escritora e jornalista Olga Wornat, autora de "Rainha Cristina", afirma que os Kirchners "são um poderoso dueto que sabe o que quer".

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