Cristina promete submeter impostos ao Parlamento argentino

Diante da crise, presidente recua e leva discussão de impostos sobre exportação de grãos ao Congresso

Agências internacionais,

17 de junho de 2008 | 18h51

Em um discurso em cadeia nacional nesta terça-feira, 18, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou que enviará ao Parlamento um projeto de lei sobre o aumento nos impostos sobre as exportações de grãos. Decretado há três meses, o aumento desencadeou uma das piores crises políticas da Argentina desde o crack econômico de 2001, gerando protestos de camponeses e 'panelaços', como os que ocorreram em diversas cidades na noite da última segunda-feira.  Veja também:Ouça o relato do jornalista Ariel Palacios, de 'O Estado de S. Paulo'Governo argentino confirma ato em apoio à CristinaRuralistas argentinos fazem novo locaute "Esta medida - que tanta revolta causou em um setor que há 90 dias bloqueia estradas e impede os argentinos de circularem - ficará mais democrática. Por isso, vou enviá-la ao parlamento", disse a presidente segundo o jornal La Nacion. Cristina ainda voltou a defender seu modelo econômico."Peço que aqueles que não gostem deste modelo, que devolveu as esperanças de milhares de pessoas, que respeitem a democracia", disse. Referindo-se às manifestações da última segunda-feira, Cristina afirmou que "está sempre disposta ao diálogo, mas que o diálogo só é possível quando não se bloqueiam estradas."  Apoio do marido Pouco antes, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner saiu em defesa do governo de sua mulher. Kirchner assegurou que a presidente "tem todos os meios " para enfrentar os conflitos do governo com produtores rurais que tomam o país desde março.  Em entrevista coletiva nesta terça em Buenos Aires, ele negou que o governo da Argentina seja bicéfalo, como acusam alguns críticos locais. "Cristina tem seu pensamento, ela é a presidente", disse Kirchner, que é o atual líder do Partido Justicialista. Kirchner também defendeu a política de Cristina em seu enfrentamento com os produtores agropecuários por causa do aumento das taxas sobre as exportações de grãos, o que resultou na maior crise na Argentina desde o crack econômico de 2001."O que a presidente fez foi guiar-se pelo bem da maioria dos argentinos, por aqueles que tem menos", disse o ex-presidente, que ainda denunciou uma "campanha midiática para desgastar a presidente." Ele afirmou que o governo não voltará atrás nas medidas, e que as defenderá com todas as forças. Kirchner confirmou ainda a convocação de um comício em apoio, que será realizado na quarta-feira, 18, na Praça de Maio. O ato coincidirá com uma jornada nacional de protesto organizada pelas entidades agropecuárias, que rejeitam o esquema de impostos móveis sobre as retenções de grãos. Kirchner ressaltou que "não se trata de um ato contra ninguém, mas em defesa da democracia", disse o ex-presidente, que acusou as entidades rurais de serem "golpistas." Na noite da última segunda-feira, 16, milhares de argentinos realizaram "panelaços" nas cidades mais povoadas do país.

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