Cristina tem melhor eleição que seu marido em 2003

Com pelo menos 20 pontos a mais do que a segunda colocada, Cristina Kirchner garante presidência com folga

Marina Guimarães, da Agência Estado,

29 de outubro de 2007 | 09h33

O resultado das eleições presidenciais nas diferentes províncias argentinas mostram um cenário muito mais favorável à Cristina Fernández de Kirchner do que quando seu marido, Néstor Kirchner, foi eleito, em 2003, com apenas 22% dos votos. Com cerca de 94% das urnas apuradas, além de conseguir 44% dos votos e uma diferença de mais de 20 pontos de sua adversária, a presidente eleita ganhou em 21 dos 24 colégios eleitorais.   Veja também:Veja galeria de fotos Perfil de Cristina Candidatos reconhecem vitória de Cristina Cristina faz discurso às mulheres Cristina é a 9ª mulher a chegar à Presidência na AméricaOposição denuncia irregularidades nas eleições Ministro nega fraude em eleição na Argentina Cristina: 'Não sou Hillary nem Evita' Quando foi eleito antes de chegar ao segundo turno porque seu adversário, Carlos Menem, desistiu do pleito, Kirchner havia conseguido ganhar somente em oito províncias: Buenos Aires, Chubut, Formosa, Jujuy, Neuquén, Río Negro, Santa Cruz e Tierra del Fuego. Cristina só não conseguiu vencer na Capital Federal, reduto tradicional de oposição ao governo; em San Luis, feudo do candidato de oposição Alberto Rodriguez Saá; em Rosario, onde Rubén Giustiniani, vice de Elisa Carrió, captou os votos socialistas para sua chapa; e na província de Córdoba, onde pagou o preço pela briga política entre os dois candidatos a governador Juan Schiaretti e Luis Juez, que tiveram uma eleição apertada e marcada por denúncias de fraude, recentemente. Quando Kirchner foi eleito por abandono, depois de obter somente 22,24% dos votos no primeiro turno das eleições, muitos duvidaram de sua governabilidade. Poucos acreditaram que ele chegaria ao final do seu mandato e pairava sobre o ar o fantasma da queda de cinco presidentes em menos de um mês, e a fuga de Fernando De la Rúa, de helicóptero, da Casa Rosada.  Ao assumir, a concentração de poder passou a ser a principal obsessão de Kirchner. Por isso, Kirchner foi atrás de todos aqueles que não lhe demonstraram muita simpatia e tratou de seduzi-los, qualquer que fosse o partido a que pertencessem. Uma estratégia que gerou muitas críticas por parte da oposição, que acusou o presidente de "cooptar para não receber críticas". Até o vice-presidente de Cristina é do partido opositor UCR- União Cívica Radical. Kirchner conseguiu nessa eleição não só eleger sua mulher com ampla maioria, mas também somar poder em todo o país. Esse apoio todo está intimamente ligado ao sucesso da economia nos próximos anos, porque a chave da vitória K foi o êxito da economia.  O analista político Carlos Fara explica que "depois da crise de 2001, a economia se estabilizou, tem mais empregos e melhores salários e a sociedade não quer arriscar a mudar de governo". Vale recordar que as alianças e os apoios funcionam enquanto o time está ganhando. Cristina fez o discurso da vitória por volta das 23h30 (horário de Brasília) na noite de domingo. Em seu discurso, a senadora e primeira dama afirmou que sua vitória representa também uma questão de gênero e chamou as mulheres argentinas a participarem da luta política. Cristina agradeceu a todos e se emocionou ao falar do marido, o atual presidente Néstor Kirchner. Cristina disse que tem "uma dupla responsabilidade" após ser escolhida presidente segundo dados oficiais provisórios do pleito realizado neste domingo."Tenho uma dupla responsabilidade, como presidente e como mulher", afirmou."Convoco minhas irmãs de gênero, donas de casa, mulheres empresárias e profissionais, operárias das fábricas, estudantes das universidades", sustentou. "Sei que podemos desenvolver uma grande tarefa por nossas aptidões especiais, por termos sido cidadãs do privado e do público, por termos articulado o mundo da família e da militância. E por termos feito bem as duas coisas", apontou. Dificuldades do governo Apesar dos desafios da nova presidente não serem tão diferentes dos enfrentados por Kirchner, sua gestão deve adaptar-se à evolução de temas sensíveis, que incluem uma inflação crescente, uma escassez energética e a necessidade de captar novos investimentos. O projeto internacional de Cristina Kirchner é estabelecer relações com todo o planeta, mas isso implica no difícil desafio de manter tanto laços estreitos com Chávez, o líder da cruzada anti-EUA na América Latina, quanto com Washington, que ficou distante de Néstor Kirchner. Ela também herdará um conflito ambiental com o Uruguai, uma comunicação amistosa com o Brasil embora haja tensões comerciais e ainda uma relação instável com a presidente chilena, Michelle Bachelet, por causa da redução no suprimento de gás da Argentina ao Chile. Problemas no pleito A falta de cédulas de votação da oposição na província de Buenos Aires levou a um adiamento de uma hora no fechamento das urnas na capital. O temor de que houvesse irregularidades na eleição, já que neste ano duas disputas estaduais foram questionadas pelos partidos derrotados, motivou a oposição a montar uma fiscalização conjunta. Dezenas de eleitores telefonaram às emissoras de rádio denunciando que não haviam conseguido votar por causa da falta das cédulas de partidos da oposição. A organização não-governamental Poder Cidadão, especializada no acompanhamento de instituições públicas, informou ter recebido mais de 200 ligações ao longo do dia. (com Reuters)

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