David Fernandez/Efe
David Fernandez/Efe

Críticas fazem Venezuela deixar comissão de direitos humanos

CIDH, órgão da OEA, denunciou intolerância e abusos contra a oposição do governo chavista na quarta

Associated Press,

26 de fevereiro de 2010 | 10h30

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou na quinta-feira, 25, que seu país sairá da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) depois de a entidade ter denunciado a intolerância política, a hostilidade frente a oposição e a violência contra sindicalistas, mulheres e camponeses na república bolivariana.

 

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Em uma entrevista coletiva, Chávez disse que CIDH, que faz parte da Organização dos Estados Americanos (OEA), é uma máfia. "O que deveríamos fazer é nos preparar para denunciar o acordo no qual a Venezuela entrou, ou como se chama essa nefasta Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e sairmos depois. Para quê? Não vale a pena, é uma máfia", disparou o venezuelano.

 

"Agora vamos seguir aqui nessa comissão?", questionou o governante depois de criticar o relatório que denunciou os abusos da Venezuela um dia antes, considerado por Chávez como "mentiroso e puro lixo".

 

Chávez indicou que estava disposto a dialogar com o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, sobre sua possível reeleição e outros assunto referentes à organização. "Vamos sentar para conversar, sem insultos", disse o venezuelano.

 

O presidente venezuelano sustentou que a CIDH é um organismo politizado que é utilizado "pelo império" para agredir os governos e argumentou que o relatório da entidade é parte da "agressão permanente que tenta isolar a Venezuela".

 

As autoridades venezuelanas responsáveis pelo assunto também condenaram o relatório. "Nós não reconhecemos a comissão como uma instituição imparcial", disse Gabriela Ramirez, defensora pública dos direitos humanos na Venezuela. Ela disse que o relatório erroneamente conclui que "o Estado venezuelano ameaça a democracia e os direitos humanos".

 

O documento foi divulgado na quarta-feira e cita a falta de independência do Judiciário venezuelano, o fechamento de empresas de comunicação e critica a discriminação e repressão política sob o governo Chávez. Ativistas locais aplaudiram o documento de 300 páginas afirmando que ele joga luz sobre as amplas violações que a comunidade internacional tem ignorado.

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