Cronologia do impasse entre o Senado brasileiro e Hugo Chávez

No fim de maio, o Senado brasileiro aprovou uma moção para que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, reconsiderasse sua decisão de tirar a RCTV do ar. A reação do venezuelano foi chamar a Casa de 'papagaio de Washington'. Veja os principais acontecimentos desencadeados pela crise:   27 de maio - Governo de Hugo Chávez não renova a concessão da rede oposicionista RCTV, acusando o canal de apoiar conspirações para tirá-lo do poder, e o canal encerra as transmissões às 23h59.   28 de maio - Fechamento da emissora motiva duros ataques internacionais. Planalto não se manifesta oficialmente sobre o assunto, alegando respeito à soberania da Venezuela.   29 de maio - Lula evita falar sobre a decisão de Chávez. "É um problema da legislação e do governo da Venezuela". Porém, fez uma veemente defesa da democracia e da liberdade de expressão sem, no entanto, citar diretamente o problema ocorrido no país vizinho.   30 de maio - Senado aprova moção em que pede a Chávez para reconsiderar a decisão de não renovar a concessão da RCTV.   1 de junho - Chávez diz que Brasil tem um Congresso que "repete como um papagaio" o que diz o Congresso americano. Em resposta, Lula disse que Chávez "tem que cuidar da Venezuela".   O Itamaraty emite nota dizendo que o governo repudia o questionamento da independência e dignidade do Congresso. Lula determina que o Ministério das Relações Exteriores convoque o embaixador da Venezuela no Brasil, Julio García Montoya, para prestar esclarecimentos sobre as declarações do presidente venezuelano.   2 de junho - O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, reconhece que as relações diplomáticas com a Venezuela não estão "normais".   Em discurso durante uma manifestação a favor do fechamento da emissora, o presidente Hugo Chávez manda "para o inferno" os críticos nacionais e estrangeiros de sua decisão. Ele diz que "foi obrigado a responder" o Congresso brasileiro diante do "comunicado grosseiro" que a Casa emitiu. "Não aceitamos a ingerência de ninguém em nossos assuntos internos", afirmou Chávez.   3 de junho - Na Índia, Lula sai em defesa do Senado. "Eu acho que o Congresso não foi grosseiro, porque a nota do Congresso pede a compreensão apenas."   O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, ministro Marco Aurélio Garcia, ameniza decisão do governo venezuelano. "Chávez não fez nada de ilegal" nem violou os princípios democráticos de defesa da liberdade de expressão, declarou.   4 de junho - O chanceler venezuelano, Nicolas Maduro, e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, conversam com o embaixador do Brasil na Venezuela, João Carlos Souza Gomes. De acordo com o ministro Celso Amorim, eles se desculparam e também se justificaram pelas críticas de Chávez ao Congresso brasileiro.   Lula abranda o tom e diz que "Chávez é parceiro, não um perigo para a América Latina". "Chávez tem suas razões para brigar com os Estados Unidos. E os Estados Unidos têm suas razões para brigar com a Venezuela. O Brasil não tem nenhuma razão para brigar com os Estados Unidos ou a Venezuela."

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