Cruz Vermelha aguarda libertação de reféns

Ao receber as coordenadas CICV pedirá garantias de segurança ao Governo Colombiano

Efe

30 de dezembro de 2007 | 01h38

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) continua à espera das coordenadas do local onde se encontram os reféns que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) prometeram libertar, depois do desembarque neste sábado na cidade de Villavicencio dos delegados que agem como fiadores da missão humanitária. A delegação do CICV na Colômbia tinha descartado a possibilidade da entrega dos três reféns neste sábado, porque "ainda não recebeu as coordenadas" necessárias para a operação. O porta-voz do organismo humanitário Yves Heller disse à Agência Efe que assim que o CICV receber as coordenadas "pedirá as garantias de segurança ao Ministério da Defesa e ao Governo colombiano" para prosseguir com a operação de libertação. Heller também informou que o organismo não realiza "operações deste tipo durante a noite" como medida de segurança. Os delegados de Brasil, Argentina, Bolívia, Cuba, Equador, França e Suíça, que agem como fiadores para a missão humanitária, chegaram à cidade colombiana em quatro aeronaves, três Falcon venezuelanos com emblemas da Cruz Vermelha e um Boeing da Presidência argentina, às 16h50 (19h50 de Brasília). Pierre Dorbes, um dos seis membros do CICV que participam da operação, disse que o papel deste organismo é "acompanhar e facilitar todo o processo de libertação" para "garantir seu caráter humanitário e para que ela possa se desenvolver bem nas próximas horas". Em nome do presidente Hugo Chávez, o vice-chanceler venezuelano para a América Latina e Caribe, Rodolfo Sanz, agradeceu "ao povo e ao Governo da Colômbia por permitir esta operação", e aos países que acompanham a missão humanitária. "Não podemos revelar detalhes da operação", afirmou Sanz, que pediu compreensão à imprensa, "porque esta operação, para o presidente Hugo Chávez, os observadores e o Governo do presidente Álvaro Uribe, é um passo muito importante no avanço em direção a um processo de paz duradouro". A expectativa é de que as coordenadas sejam recebidas no começo da manhã deste domingo, e em seguida os dois helicópteros venezuelanos que estão desde a sexta-feira em Vanguardia, com os delegados e os membros do CICV, poderão partir para resgatar os reféns. Os dois aviões Falcon aterrissaram no aeroporto Vanguardia, de operações civis, e a outra aeronave, da Presidência argentina, desceu na base militar de Apiai, poucos quilômetros ao sul de Villavicencio. Os delegados assistem como fiadores à operação de libertação da ex-candidata à Vice-Presidência Clara Rojas e de seu filho Emmanuel, nascido em cativeiro, além da ex-parlamentar Consuelo González de Perdomo. Entre os delegados estão o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner e o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia, além do diplomata brasileiro Hélio Cardoso. Também fazem parte o chanceler argentino, Jorge Taiana; o vice-ministro de Coordenação com Movimentos Sociais da Bolívia, Sacha Llorenti; o ex-ministro do Interior do Equador Gustavo Larrea, e os embaixadores na Venezuela da França, Hadelín de la Tour du Pin; de Cuba, Germán Sánchez, e da Suíça, Armin Ritz. A missão humanitária é coordenada pelo ex-ministro do Interior venezuelano Ramón Rodríguez Chacín, e ainda conta com a participação da senadora Piedad Córdoba e do cineasta americano Oliver Stone. As Farc anunciaram em 18 de dezembro que libertariam os três seqüestrados e os entregariam ao Governo venezuelano em "reparação" a Chávez e a Córdoba, cuja mediação para a troca humanitária foi suspensa por Uribe no dia 21 de novembro.

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