Cruz Vermelha informa onde Farc libertarão reféns

Helicópteros brasileiros não armados entrarão em território colombiano, confirmou ministro

EFE

31 de janeiro de 2009 | 01h01

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) entregou nesta sexta-feira, 30, ao Governo colombiano as coordenadas do local onde, no próximo domingo, 1, serão libertados três policiais e um militar pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), confirmaram fontes oficiais.   Veja também: Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região       O ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, se reuniu nesta sexta-feira em seu escritório com o chefe da delegação do CICV na Colômbia, Christophe Beney, e se comprometeu a retirar as tropas temporariamente para permitir a entrada da missão humanitária que sai sábado do Brasil.   "Todos os detalhes já foram estipulados entre o CICV, o Ministério da Defesa e os comandantes" militares, disse o ministro. Santos assegurou que a cessação de operações militares vai vigorar por 36 horas em uma ampla área do departamento (estado) colombiano de Caquetá e os libertados serão levados à cidade de Villavicencio, ao leste de Bogotá.   O ministro confirmou que os helicópteros brasileiros não armados entrarão em território colombiano e no domingo acontecerá a primeira entrega de reféns das Farc. "Esse é o cronograma que acordamos, já foi definida a área do primeiro caso, sábado definiremos a área do segundo caso e na segunda-feira definiremos a área do terceiro caso", afirmou Santos.   Segundo ele, na libertação dos seis reféns das Farc será usado o mesmo procedimento do ano passado, quando foi conseguida a soltura de outros seis sequestrados.   A operação, que no total dará a liberdade a dois políticos, três policiais e um militar colombianos, começouhoje com a partida de uma missão humanitária para o Brasil, de onde sairão os helicópteros que serão usados para receber os reféns na floresta da Colômbia.   O grupo de libertados é formado pelo ex-governador Alan Jara, sequestrado em 2001; o ex-deputado regional de Valle del Cauca Sigifredo López, retido desde 2002; e quatro solddos, cujos nomes não foram divulgados.   Alan Jara   O ex-governador do Departamento de Meta Alan Jara, de 51 anos, foi sequestrado em 15 de julho de 2001, quando se deslocava em um veículo da ONU, junto com funcionários da entidade internacional. Após o sequestro, uma nota das Farc acusou Jara de ter ligações com paramilitares.   O engenheiro civil foi governador em suas vezes e, durante seu trabalho como dirigente, dialogou em várias ocasiões com a guerrilha e grupos militares que atuavam na região.   Segundo a imprensa colombiana, os reféns libertados pelo grupo afirmam que o ex-governador é o professor dos sequestrados, pois as aulas de inglês e russo aos companheiros de cárcere ajuda a passar o tempo enquanto tentam sobreviver na selva.   Sigifredo López   Sigifredo López, de 45 anos, é o único sobrevivente do grupo de 12 deputados do departamento de Valle capturado pela guerrilha em abril de 2002. Seus 11 companheiros foram mortos em junho de 2007, executados por guerrilheiros após o encontro com um grupo inimigo "não identificado", segundo o governo colombiano - ou atingidos pelo fogo cruzado, na versão das Farc.   Segundo a imprensa colombiana, López estudou direito na Universidad Santiago de Cali, onde se especializou na área penal. Seu primeiro cargo público foi inspetor de polícia de Pradera, aos 22 anos. Ele foi ainda Secretário de Obras Públicas do Departamento. Ele ainda foi prefeito entre 1992 e 1994. Seu maior posto político foi a Assembleia do Valle del Cauca.   O ex-deputado foi capturado capturado num ousado ataque à Assembleia, em pleno centro de Cali, com outro 11 políticos. López foi o único sobrevivente após um confuso incidente em junho de 2007, no qual todos os seus companheiros morreram baleados quando estavam em cativeiro.   Atualizado às 19h44

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