Cruz Vermelha pede às Farc para visitar Ingrid Betancourt

Entidade quer que equipe médica avalie estado de saúde da refém, que seria bastante delicado

Agências internacionais,

29 de fevereiro de 2008 | 14h26

O chefe da Cruz Vermelha na Venezuela, Guy Mellet, pediu nesta sexta-feira, 29, para que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) autorizem a visita de uma equipe médica à ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt. Mellet disse à emissora Globovisión que o órgão está "muito preocupado" com o estado de saúde de Ingrid, que é bastante delicado, segundo os quatro ex-congressistas libertados quarta-feira pelas Farc.   Veja também: Chávez propõe grupo multilateral para mediar conflito com Farc Farc recebem provisões brasileiras, diz ex-refémPor dentro das Farc  Reféns colombianos: do seqüestro à liberdade Quem são os 4 reféns libertados na Colômbia   Ingrid Betancourt, que também tem nacionalidade francesa, foi seqüestrada em 23 de fevereiro de 2002 pelas Farc, que "se irritaram" com ela, de acordo com o ex-senador colombiano Luis Eladio Pérez, um dos libertados esta semana. Pérez, que várias vezes dividiu o cativeiro com Ingrid, disse que a viu pela última vez em 4 de fevereiro.   "Ela está muito mal", talvez "pior" que do que estava na foto divulgada em dezembro como prova de sobrevivência, na qual aparece muito magra e abatida. Ingrid tem um "problema recorrente de fígado", e está "mal física e moralmente", acrescentou o ex-senador, entregue pelas Farc à Venezuela e a uma comissão da Cruz Vermelha, junto com os também ex- parlamentares Gloria Polanco, Orlando Beltrán Cuéllar e Jorge Eduardo Gechem Turbay.   Tentativa de fuga   Segundo Pérez, os rebeldes consideram Ingrid uma "burguesa" e desde uma tentativa de fuga, em 2005, obrigam-na a andar descalça pela selva e a dormir acorrentada em árvores. As revelações foram feitas na quinta numa entrevista concedida à rádio colombiana Caracol. "As condições de reclusão são as de um campo de concentração", disse. "Fui hostilizado pela guerrilha porque fui contestador desde o início. Ingrid fez o mesmo com valentia excepcional."   Companheiro de Ingrid na fuga frustrada, ele contou detalhes do episódio, que havia sido revelado por outros ex-reféns. A fuga foi idéia de Ingrid. Ela foi planejada inicialmente para 20 de julho de 2005, mas foi antecipada porque os guerrilheiros começaram a cercar o acampamento com arame farpado. "Era naquele momento ou nunca mais", afirmou Pérez.   Os dois reféns levaram consigo torrões de açúcar e bolachas. Por cinco dias atravessaram rios e dormiram com a roupa molhada. "Ingrid percebeu que eu estava mal. Falhei diante da imensa capacidade dela de enfrentar aquela situação", disse Pérez. Segundo ele, a ex-senadora era hábil em pescar e fazer fogo. Eles se entregaram porque problemas provocados pela diabete impediam Pérez de continuar.   Os rebeldes não deixaram barato a insubordinação. Ambos foram acorrentados a árvores e obrigados a andar descalços. "Ingrid será presidente um dia", disse Pérez. "Ela é corajosa e tem propostas para mudar o país." O ex-senador trouxe para a filha de Ingrid, Mélanie Delloye, um cinto tecido por ela. O presente foi entregue nos poucos minutos em que ele pôde conversar com a ex-senadora, há 23 dias. "Ela me disse: "aproveite cada minuto de sua liberdade"."   O ex-congressista também relatou como as Farc utilizam os países vizinhos para conseguir abrigo e suprimentos. "Dormi no Equador. Usávamos botas equatorianas, desodorantes e remédios brasileiros e sabonetes venezuelanos", disse.   Ingrid faz parte do grupo de reféns políticos que as Farc se dizem dispostas a trocar por 500 rebeldes presos. Com a libertação dos quatro ex-parlamentares, o grupo hoje é composto por 40 seqüestrados: 33 militares, 4 políticos e 3 americanos - Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell -, que trabalhavam em operações antidrogas na Colômbia e foram capturados quando seu avião caiu na selva, há cinco anos.

Mais conteúdo sobre:
Ingrid BetancourtColômbiaFarc

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.