Cuba acusa Obama de endurecer embargo e perseguição financeira

Chanceler diz que medidas custaram US$ 751 bilhões ao país apesar do alívio de algumas restrições

Reuters

15 de setembro de 2010 | 13h52

HAVANA - O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira, 15, que o presidente dos EUA, Barack Obama, não apenas manteve, mas intensificou o embargo comercial contra a ilha de governo comunista.

O chanceler disse a jornalistas que o governo de Obama aumentou em 2009 a aplicação de multas contra as empresas que fazem negócios com Cuba e a perseguição contra as transações financeiras da ilha em bancos de terceiros países.

"A política de bloqueio dos últimos dois anos, ou seja, sob o governo do presidente Obama, não mudou nada. Pode-se dizer, inclusive, que em alguns aspectos no último ano o bloqueio foi endurecido, foi reforçado", disse ele.

"O presidente Obama tem ficado, em matéria de política para Cuba e em particular na política de bloqueio e subversão, abaixo das expectativas criadas na comunidade internacional e na própria opinião pública americana", acrescentou.

Rodríguez fez as declarações em Havana, ao apresentar um informe sobre o impacto do embargo, que, segundo Cuba, custou US$ 751 bilhões à economia do país desde sua aplicação, em 1962, para forçar a mudança do governo da ilha. "É uma peça de museu da Guerra Fria. É uma política que fracassou durante 50 anos," disse o chanceler sobre o embargo dos EUA.

Obama prometeu "relançar" as relações com Cuba, mas disse que não suspenderia o embargo antes que as autoridades comunistas da ilha mostrassem avanços em matéria de direitos humanos.

A Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) votará no dia 26 de outubro uma moção de condenação ao embargo, apoiada há duas décadas por uma grande maioria de nações.

Obama aliviou ligeiramente o embargo, autorizando as viagens e envios de remessas dos exilados cubanos e as operações de empresas de telecomunicações. Além disso, restabeleceu o diálogo sobre assuntos de migração, que havia sido interrompido pelo seu antecessor, George W. Bush.

As relações, entretanto, esfriaram depois da detenção em Havana, em dezembro de 2009, do contratista -americano Alan Gross, suspeito de espionagem, segundo o governo cubano. O subsecretário de Estado americano para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, disse na terça-feira que a detenção de Gross impede o diálogo entre as duas nações.

Rodríguez foi questionado duas vezes por jornalistas sobre a situação do contratista, mas se limitou a responder que o embargo era um ato unilateral e devia ser suspenso de forma incondicional e imediata.

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