Cuba autoriza ex-preso político a receber asilo nos Estados Unidos

Ariel Sigler foi solto antes de acordo para libertação de 52 prisioneiros firmado com a Igreja

estadão.com.br,

20 de julho de 2010 | 23h04

HAVANA - O governo de Cuba deu nesta terça-feira, 19, permissão ao preso político paraplégico Ariel Sigler, libertado em junho, para viajar aos Estados Unidos, após mediação do cardeal Jaime Ortega para que as autoridades da ilha agilizassem o trâmite, afirmou a mulher do opositor, de acordo com a agência de notícias AFP.

 

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"Por fim nesta terça entregaram a carta branca (permissão de saída) a Ariel. Agora ele só precisa comprar sua passagem", disse à AFP Noelia Pedraza, que declarou que seu marido ficará "definitivamente" nos EUA, onde receberá cuidados médicos.

 

"O cardeal me chamou ontem e me disse que havia intercedido por Ariel ante o governo (...), e que hoje o Ministério do Interior iria me contatar para recolher a permissão, como aconteceu", disse Pedraza.

 

As autoridades atenderam ao pedido, feito há quase 20 dias, depois que o opositor, de 46 anos, protestou na Escritório de Migração porque o disseram que tinha de esperar ao menos 30 dias.

 

O dissidente foi libertado em 12 de junho como primeiro resultado de um inédito diálogo entre o cardeal Ortega e o presidente Raúl Castro, e oito dias depois recebeu uma visita humanitária dos Estados Unidos.

 

Como resultado da mediação da Igreja, o governo começou na semana passada a libertar 52 presos políticos remanescentes da Primavera Negra de 2003 em uma prazo de quatro meses. Destes, 20 devem ser libertados em breve, dos quais 11 já chegaram à Espanha.

 

Alguns não desejam abandonar a ilha e outros, como Sigler, querem viver nos Estados Unidos. Por isso, suas famílias começaram a ser entrevistas pela Seção de Interesses dos EUA em Havana (SINA).

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