Cuba autorizará monitoramento de direitos humanos da ONU

Cuba disse na segunda-feira queautorizará a partir de 2009 a presença de monitores de direitoshumanos da Organização das Nações Unidas (ONU) no país, mas nomesmo dia policiais à paisana dissolveram uma manifestaçãoalusiva ao Dia Internacional dos Direitos Humanos. O chanceler Felipe Pérez Roque disse que a ilha vai assinaraté março a Declaração Internacional da ONU sobre DireitosCivis e Políticos, além de um pacto similar sobre direitoseconômicos e sociais. O tratado foi adotado em 1976, no auge daGuerra Fria. Ele disse que no começo de 2009 Cuba vai se abrir ainspeções regulares do recém-criado Conselho de DireitosHumanos da ONU. Cuba sempre rejeitou a presença de um relatorespecial indicado pelo órgão anterior, a Comissão de DireitosHumanos, que Havana dizia ser manipulada pelos EUA. "Esta decisão reflete nosso desejo de plena cooperação comas Nações Unidas sobre a base de respeito por nossa soberanianacional e pelo direito do povo cubano à suaauto-determinação", disse Pérez Roque em entrevista coletiva. Minutos depois, numa praça perto dali, policiais à paisanadispersaram uma pequena manifestação de dissidentes que pediama libertação de presos políticos. Dois manifestantes foramlevados presos, segundo testemunhas. Seguidores do governo, aparentemente sob coordenação dosagentes, vaiaram os dissidentes e gritaram "Viva Fidel". Dez espanholas que participaram de uma outra passeata navéspera afirmaram que estão detidas em seus hotéis, depois deterem os passaportes confiscados, à espera da deportação. Cuba afirma não haver presos políticos na ilha e diz quetodos os dissidentes são "mercenários" a soldo dos EUA. "Nem as manipulações que o governo dos EUA encenou, àsvezes com um punhado de mercenários que paga e dirige em nossopaís, nem a pressão sobre outros países vai alterar nossorumo", disse Pérez Roque. Segundo ele, a maioria dos cubanos apóia o regimesocialista. No mês passado, um relator especial da ONU visitou Cubapela primeira vez em uma década. Jean Ziegler, relator especialpara o direito à alimentação, elogiou o regime comunista porgarantir que ninguém passe fome, apesar das sançõesnorte-americanas e da crise econômica desde o colapso da UniãoSoviética. Um diplomata ocidental disse que a adesão de Cuba aostratados de direitos humanos da ONU é um "gesto" aguardado hámuito tempo. "O real problema ainda são os presos políticos. Muitospaíses assinaram ambos os pactos e ainda violam direitoshumanos em enorme escala", disse um diplomata europeu. O veterano ativista Elizardo Sánchez disse que esse é umpasso "positivo", mas duvidou que o regime vá libertar os cercade 240 presos políticos.

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