Cuba classifica embargo norte-americano de 'esquizofrênico'

Chanceler afirma que proibição comercial causou prejuízo de US$ 3 bilhões nos últimos 12 meses

ESTEBAN ISRAEL, REUTERS

18 de setembro de 2007 | 19h10

O embargo comercial dos Estados Unidos contra Cuba alcançou "níveis de esquizofrenia" e custou à ilha mais de US$ 3 bilhões entre julho de 2006 e julho de 2007, disse na terça-feira o chanceler Felipe Pérez Roque. O impacto das sanções sobre o comércio exterior cubano foi avaliado em US$ 1,3 bilhão, disse Pérez Roque ao apresentar em Havana um relatório sobre o embargo, que será exposto na Organização das Nações Unidas. Segundo o ministro, o bloqueio econômico em vigor desde 1962 impede, por exemplo, que Cuba importe vacinas para crianças, amplie o acesso à Internet ou que seus músicos se apresentem em hotéis de redes norte-americanas como Ritz e Hilton durante turnês por remotos países da Ásia. "A aplicação do bloqueio alcançou níveis de esquizofrenia", disse Pérez Roque a jornalistas. Cuba informou em 2006 um impacto de US$ 4,1 bilhões por causa do embargo, e o ministro não explicou o porquê da redução da cifra neste ano. O secretário norte-americano de Comércio, Carlos Gutiérrez, disse na segunda-feira que o embargo adotado três anos depois da Revolução Cubana impediu que Fidel Castro "exportasse sua revolução". "Sempre me perguntam se o embargo norte-americano deu resultados. Minha resposta é um sim enfático. O embargo negou recursos a Castro", disse Gutiérrez, que tem origem cubana, em conferência na entidade conservadora Heritage Foundation, de Washington. Segundo Cuba, desde 1962 o prejuízo acumulado supera US$ 89 bilhões. "É um dado muito conservador, que fica, logicamente, aquém do impacto real", disse o chanceler. O relatório será enviado por Cuba a todos os países da ONU, cuja Assembléia Geral deve votar em 30 de outubro uma moção cubana contra as sanções. No ano passado, uma moção semelhante foi aprovada por um número recorde de 183 países, com apenas quatro contrários (EUA, Israel, Ilhas Marshall e Palau). Apesar do embargo, Cuba adquire equipamentos norte-americanos e de outras nações em terceiros países, a preços mais elevados. Pérez Roque fez sua apresentação usando um programa da empresa norte-americana Microsoft e uma tela da marca 3M, também dos EUA.

Tudo o que sabemos sobre:
CUBAESQUIZOFRENIA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.