Cuba começa a vender computadores à população

Cuba começou formalmente na sexta-feiraa venda de computadores à população, antes permitida somente aempresas e estrangeiros. Com isso, o país continua a série dereformas implementadas no último mês. A restrição à venda de computadores fazia parte do que onovo presidente Raúl Castro chamou, no fim de 2007, de "excessode proibições e medidas legais que trazem mais danos quebenefícios". "Para mim, parece bom que o Estado tenha iniciado esteprocesso legalmente. Se queremos um país melhor, temos depermitir que as pessoas tenham recursos para se desenvolverprofissionalmente", disse Elizabeth Reyes, empregada domésticade 46 anos que pesquisava preços em uma loja em Havana. Segundo a imprensa oficial, mais de 3,7 milhões de pessoasusaram um computador em Cuba em 2007, apesar de apenas 5 porcento terem um em casa. Nas últimas semanas, o governo liberou a venda de aparelhosde DVD e outros eletrodomésticos, assim como o acesso a hotéisantes restritos aos estrangeiros. "É uma oportunidade que não tinha antes. Estou tranquila,já que tenho um ano de garantia", disse Caridad Paz, 42 anos. A Reuters constatou que os computadores chineses, da marcaQTECH, Celeron, custam entre 555 e 711 pesos conversíveiscubanos (CUC), o que equivale a entre 599,4 e 768 dólaresamericanos. Mesmo assim, ter um computador é quase impossível para amaioria dos cubanos, cuja média salarial é de 409 pesos cubanos--que valem 24 vezes menos que o CUC--, o que dá 17 dólares aomês. Todos os bens e serviços liberados são vendidos somente empesos conversíveis. Até agora, os cubanos só podiam comprar computadores nomercado negro ou no exterior. Outros montavam seus computadorespeça por peça, pois os componentes eram vendidos nas lojasestatais cubanas. Com a liberação da venda de computadores, outro temaalimenta a expectativa dos cubanos: o acesso à Internet. As autoridades de Cuba alegam que o embargo dos EstadosUnidos, vigente há quase meio século, não permite a conexão porcabo -- assim, a ilha têm de usar a Internet por satélite, queé mais cara. Em Cuba, só os órgãos estatais e alguns profissionais podemusar a Internet. (Reportagem de Rosa Tania Valdés e Nelson Acosta)

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