Cuba comemora 'Dia do Rebelde' com promessa de transformações

Cuba está seguindo adiante com planos para modernizar sua economia e reformar seu sistema político unipartidário, mas isso levará tempo, disse o vice-presidente José Ramón Machado Ventura nesta terça-feira, em discurso televisionado à nação.

NELSON ACOSTA, REUTERS

26 de julho de 2011 | 15h00

As declarações foram feitas em um dos mais importantes dias do calendário político cubano. A ilha de governo comunista comemora o aniversário do ataque liderado por Fidel Castro em 1953 contra o quartel de Moncada na cidade de Santiago de Cuba, que deu início à Revolução Cubana.

O discurso de Machado foi o primeiro feito por um líder cubano de alto escalão desde abril, quando o congresso do Partido Comunista aprovou um plano abrangente para conduzir o sistema econômico cubano, de estilo soviético, em um rumo mais voltado ao mercado, e conceder mais liberdades pessoais aos cubanos.

O plano criaria um grande setor "não estatal" na agricultura, serviços do varejo, construção e transportes em um país onde o governo há tempos monopoliza toda a atividade econômica.

O governo cubano também deixaria de subsidiar praticamente tudo, passando a garantir apenas benefícios sociais mais limitados e a reduzir seu controle sobre as empresas estatais.

No congresso de abril o presidente Raúl Castro anunciou planos de fixar limites aos mandatos políticos e outros esforços para aprimorar o sistema político.

"Vamos avançar sem pressa mas sem pausa, trabalhando sistematicamente e de modo coordenado", disse Machado na província central de Ciego de Ávila, onde aconteceram as festividades do "Dia do Rebelde".

Os cubanos estão fazendo pressão pela adoção rápida de medidas que lhes permitam comprar e vender casas e automóveis pela primeira vez em 50 anos, além de melhorias à produção e distribuição de alimentos, mas não outras medidas que eliminariam subsídios como a alimentação básica gratuita e cortariam a força de trabalho estatal em 20 por cento.

Mas Machado pediu paciência, devido às implicações de longo prazo da reforma. "Não estamos tomando meias-medidas nem improvisando, mas buscando soluções definitivas para problemas antigos", disse.

O vice-presidente, que tem 81 anos, pediu repetidas vezes que os cubanos trabalhem mais e mais organizadamente para superar a crise econômica que atinge o país.

Ele pediu também que trabalhadores e administradores eliminem "a indisciplina trabalhista e social, a contabilidade deficiente, o mau uso dos recursos e as atitudes burocráticas", entre outros males que afetam a atividade econômica.

"A mentalidade de não fazer nada, de esperar que algo chegue desde o alto, precisa ser quebrada definitivamente", disse ele, aparentemente aludindo ao mal-estar burocrático que afeta o país.

Pelo segundo ano consecutivo, o presidente Raúl Castro, de 80 anos, não discursou no evento. A expectativa é que ele faça um discurso importante perante a Assembleia Nacional na próxima semana.

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