Cuba completa envio de primeiro grupo de 20 presos políticos à Espanha

Outros 32 prisioneiros remanescentes devem ser libertados em até quatro meses

estadão.com.br,

22 de julho de 2010 | 23h17

HAVANA- Mais cinco presos políticos cubanos viajaram nesta quinta-feira, 22, para a Espanha, o que completa o primeiro grupo de 20 libertações anunciadas pelo governo de Cuba por meio da Igreja Católica da ilha.

 

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Jorge Luis González Tanquero, de 39 anos, José Ubaldo Izquierdo Hernández, 44, Antonio Ramón Díaz Sánchez, 47, Blas Giraldo Reyes, 54, e Jesús Mustafá Felipe, 66, embarcaram nesta noite para Madri em voos regulares das companhias aéreas espanholas Iberia e Air Europa, informou a embaixada espanhola em Havana.

 

Todos foram condenados à prisão na onda repressiva da Primavera Negra de 2003, quando foi preso um grupo de 75 opositores, jornalistas independentes e ativistas de direitos humanos cubanos.

 

Nilda Tanquero, mãe de Jorge Luis González Tanquero, disse por telefone do povoado de Jovellanos, no oeste de Cuba, que sentia "muita alegria" pela libertação de seu filho e com a confirmação de que já estava no aeroporto com outros familiares.

 

"Com ele vão para a Espanha seu irmão Lázaro Miguel com a esposa, três filhas e o marido de uma das filhas e sua menina", explicou Nilda, que viaja com mais quatro parentes em uma data ainda não determinada.

 

Isel Acosta, mulher de Blas Giraldo Reyes, disse que as autoridades anunciaram que em breve a levariam com outros cinco parentes ao aeroporto José Martí, onde se encontraria com seu marido.

 

Rosa Sánchez, cunhada de Antonio Díaz, contou que já tinha se despedido de sua irmã Gisela, que viajou em um dos voos desta quinta-feira.

 

Além disso, Lidia, parente de Yamilka Morejón, esposa de José Ubaldo Izquierdo, explicou que "ele (José Ubaldo) ligou e disse que já está pronto para ir ao aeroporto".

 

O governo do Chile se ofereceu para receber Izquierdo Hernández como refugiado político. Ele aceitou a proposta de ir para o país depois de passar primeiro pela Espanha, aonde chegará amanhã.

 

Nesta semana também viajaram para Madri Arturo Pérez de Alejo Rodríguez, Ricardo Silva Gual, Alfredo Pulido López e Manuel Ubals González, como tinha anunciado o Ministério de Assuntos Exteriores espanhol.

 

O Governo de Raúl Castro se comprometeu a libertar gradualmente em até quatro meses os 52 dissidentes ainda presos do grupo de 75, alguns que cumprem penas de até 28 anos de prisão, dentro de um inédito processo de diálogo aberto com a Igreja Católica da ilha e apoiado pela Espanha.

 

Alguns dos prisioneiros consultados pela Igreja não querem abandonar a ilha e outros desejam viajar aos Estados Unidos, país onde vivem 1,5 milhão de pessoas de origem cubana.

 

Por essa razão, a Seção de Interesses dos EUA em Havana começou na terça a entrevistar familiares dos dissidentes que descartam viver na Espanha para conhecer seus planos.

 

Com Efe e AFP

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