Cuba continuará se armando contra EUA

Declaração de Fidel surge no mesmo dia em que a UE concorda em retomar diálogo

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 14h25

Cuba continuará a fabricar e adquirir armamentos para se defender dos Estados Unidos, afirmou Fidel Castro em texto publicado nesta segunda-feira, 18. Em seu "manifesto", Fidel passou em revista quase meio século de enfrentamento ideológico com Washington. "Cuba continuará desenvolvendo e aperfeiçoando a capacidade combativa do seu povo, incluindo nossa modesta, mas ativa e eficiente, indústria de armas defensivas", escreveu o dirigente, de 80 anos, em texto datado de domingo e publicado na segunda-feira pelo Granma, diário oficial do Partido Comunista. "Continuaremos adquirindo o material necessário e as bocas de fogo pertinentes", acrescentou o texto, intitulado "Não terão Cuba jamais". A declaração do presidente cubano vem à tona no mesmo dia em que a União Européia (UE) disse estar pronta para "reabrir o diálogo político" com Cuba, com a condição de que sejam discutidos direitos humanos. A UE afirma que a transferência temporária de poder de Fidel para seu irmão, Raul - a primeira em 48 anos - constitui uma "nova situação", e que o bloco está pronto para retomar as discussões com líderes cubanos sobre política, economia e direitos humanos. Diálogo com a UE O bloco reiterou que não pretende reativar sanções contra a ilha, suspensas em 2005. Mas exigiu a libertação de prisioneiros políticos e a garantia da liberdade de expressão e informação à população cubana. A UE impôs sanções contra Cuba em 2003, depois que o país deteve 75 dissidentes acusados de trabalhar em favor dos EUA para minar o governo cubano. Após a libertação de 16 deles por motivos médicos, a UE suspendeu as sanções e decidiu iniciar a retomada do diálogo com o governo cubano. A Espanha lidera os esforços pelo estreitamento de laços do bloco com o regime socialista de Cuba. No sentido contrário, porém, Reino Unido, República Checa, Polônia e Suécia permanecem mais reservados, insistindo que a UE só deveria retomar negociações após o governo cubano garantir a todos os cidadãos as liberdades política e civil. Muitos governos e entidades de direitos humanos acusam Cuba de violar as liberdade individuais por prender críticos do governo e limitar a imprensa. O governo nega tais acusações, dizendo que os direitos humanos são respeitados de maneira mais intensa que em muitos países, principalmente pela oferta de serviços de saúde gratuitos para todos. Armas Em texto publicado nesta segunda, Fidel relatou que o país continuará "adquirindo o material necessário e as bocas de fogo pertinentes", acrescentou o texto, intitulado "Não terão Cuba jamais". Não há informação de que Cuba tenha renovado seu arsenal da era soviética desde o começo da década de 1990, quando a União Soviética, principal aliada da ilha à época, se esfacelou. Fidel não é visto em público desde que se afastou do poder, em 31 de julho, depois de uma hemorragia intestinal provocada por uma doença não revelada. "Logo se completará um ano desde que adoeci e, quando estava entre a vida e a morte, expressei (que) não tenho a menor dúvida de que nosso povo e nossa Revolução lutarão até a última gota de sangue", escreveu. "Que o senhor tampouco duvide disso, senhor (George W.) Bush!", acrescentou, desafiando o presidente dos EUA. Foi o 18º texto publicado por Fidel desde sua estréia como colunista, há quase três meses.

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