Cuba diz desejar diálogo com Obama em novo clima

O diálogo entre Cuba e Estados Unidos parece estar mais perto do que nunca em meio século, depois que Fidel Castro deu aval aos contatos com o presidente-eleito Barack Obama, e até os exilados cubanos de Miami estão a favor de uma mudança de atitude de Washington em relação à ilha. A velocidade com que Obama cumprirá sua promessa eleitoral de dialogar com Cuba dependerá, porém, de outros problemas que o esperam a partir da posse, em 20 de janeiro, como a guerra do Iraque e a crise financeira, segundo diplomatas e analistas. "Com Obama, se pode conversar onde ele deseje, já que não somos pregadores da violência e da guerra", escreveu o influente ex-presidente Fidel Castro em artigo publicado na sexta-feira pelo jornal Granma, órgão oficial do Partido Comunista. Seu irmão Raúl Castro, que o substituiu na presidência em fevereiro, disse em entrevista publicada na semana passada que está disposto a se reunir com Obama em um lugar neutro. Obama não respondeu. Mas durante sua campanha prometeu que suspenderia rapidamente as restrições para que os cubano-americanos enviem dinheiro e visitem a ilha. Nesta semana, grupos empresariais enviaram uma carta ao futuro presidente pedindo também que ele elimine gradualmente o embargo econômico. Esse clima de boa-vontade contrasta com os oito anos de tensão do governo Bush, que endureceu as restrições impostas por Washington na década de 1960. No entanto, há outros obstáculos para a reaproximação. "É difícil que Obama acorde em 21 de janeiro na Casa Branca e decida solucionar o problema com Cuba. Ele tem problemas muito sérios a solucionar antes, mas chegará mais cedo do que tarde", disse um diplomata ocidental. Para o analista Phil Peters, do Instituto Lexington, de Washington, um dos benefícios da reaproximação seria melhorar a imagem dos EUA na América Latina, onde muitos sentem que o governo Bush deu as costas à região. "Uma mudança fundamental na política dos EUA para Cuba enviaria uma mensagem muito forte de mudança para a América Latina", comentou. Os primeiros passos para a normalização poderiam ser, por exemplo, a retomada da colaboração em temas como migração e combate a drogas, segundo analistas. Um novo ar parece se respirar também em Miami, há meio século reduto de exilados cubanos. Pesquisa da Universidade Internacional da Flórida, divulgada nesta semana, mostrou que pela primeira vez a maioria dos cubano-americanos (55 por cento) é favorável ao fim do embargo. "Tudo isso dá a Obama as condições para fazer mais do que o prometido em relação a Cuba", disse Sarah Stevens, diretora do Centro para a Democracia nas Américas, entidade que apóia mudanças nas relações bilaterais. "Obama tem a oportunidade de terminar, com um lance decisivo, uma política fracassada e fútil, escrever o último capítulo da Guerra Fria."

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