Cuba diz que discurso de Bush sobre celular foi 'ridículo'

Presidente americano permitiu que americanos enviassem celulares à ilha, pressionando por mais mudanças

Reuters,

22 de maio de 2008 | 16h24

Cuba classificou nesta quinta-feira, 22, como um "show decadente" um discurso do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em que autorizou residentes americanos a enviar telefones celulares à ilha como uma pequena fissura no embargo comercial. "Foi um discurso ridículo, irrelevante e cínico, um ato de propaganda de mau gosto", afirmou o chanceler Felipe Pérez Roque em entrevista à imprensa em Havana.   Veja também: EUA permitirão envio de celulares a Cuba  Bush disse na quarta-feira que permitirá aos emigrantes cubanos enviar telefones celulares a seus parentes em Cuba, pressionando para uma aceleração das reformas na ilha socialista.   O presidente Raúl Castro autorizou em abril a venda de telefones celulares aos cubanos. Foi uma das medidas adotadas por Raúl para melhorar a qualidade de vida dos cubanos desde que ele assumiu a Presidência, em fevereiro, no lugar de seu irmão Fidel, que está doente.   Os Estados Unidos aplicam há mais de 45 anos um embargo comercial contra Cuba, reforçado pela administração Bush. Em seu discurso de quarta-feira, Bush advertiu que sua política sobre Cuba não mudará até que Castro conceda mais liberdades, solte os presos políticos e faça reformas econômicas. "Mas a experiência nos diz que este regime não tem a intenção de dar esses passos", disse ele ao comemorar em Washington um recém-criado "Dia da Solidaridade com o Povo Cubano."   Roque disse que o americano é um "líder exausto", que está "fazendo suas malas para ir para seu rancho no Texas desacreditado e rejeitado em seu próprio país."   O ministro cubano também pediu uma explicação americana para o comportamento de seu alto diplomata na ilha Michael Parmly, que foi acusado por Cuba nesta semana de enviar dinheiro americano de um exílio anti Castro nos Estados Unidos para dissidentes na ilha.   Desde que fez a acusação na segunda-feira, o governo mostrou vídeos e e-mails das conversas da dissidente Martha Beatriz Roque, que teria recebido dinheiro de um grupo fundado em Miami pelo empresário Santiago Alvarez.   "Nós acreditamos que os Estados Unidos tomarão medidas pertinentes para corrigir a conduta de seus diplomatas em Cuba', declarou Roque. Cuba e Estados Unidos, separados por 145 quilômetros do Estreito da Flórida, travam uma guerra ideológica desde a revolução de Fidel Castro em 1959.  

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