Rolando Pujol/Efe
Rolando Pujol/Efe

Cuba diz que Europa manipula sentimentos e impõe mentiras

Parlamento cubano afirmou que moção europeia é 'cínica' e se isentou de responsabilidade sobre Fariñas

Associated Press,

11 de março de 2010 | 19h47

O Parlamento cubano reagiu nesta quinta-feira, 11, à moção aprovada pelo Parlamento Europeu que condena a "evitável e cruel" morte do dissidente Orlando Zapata e alerta contra o "fatal desenlace" que poderia haver para a greve de fome que outro preso político, Guillhermo Fariñas, realiza.  

 

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Segundo um comunicado da Assembleia do Poder Popular cubana entregue à imprensa local, a condenação "manipula sentimentos, deturpa ações, impõe mentiras e oculta realidades". A condenação é "discriminatória e seletiva", disse a mensagem.

 

Fariñas, um jornalista e psicólogo opositor ao regime, está em greve de fome desde 24 de fevereiro em homenagem a morte de seu companheiro Orlando Zapata e foi hospitalizado nesta quinta após desmaiar.

 

De acordo com o documento, "o pretexto utilizado (por Fariñas) foi a morte de um preso (Zapata), detido primeiro por um crime comum e depois manipulado por interesses norte-americanos e da contrarrevolução interna, que por vontade própria se negou a comer apesar das advertências e da intervenção dos médicos cubanos".

 

A Assembleia afirmou que a greve de fome de Fariñas é um "ato lamentável", mas ressaltou que a ilha não pode se responsabilizar e nem ser atacada em matéria de direitos humanos.

 

Para os parlamentares cubanos, "por trás dessa condenação, há um profundo cinismo". Os deputados destacaram a falta de compromissos da Europa em ajuda ao desenvolvimento das nações pobres para manterem seu modelo capitalista e a repressão aos imigrantes e desempregados no continente.

 

"Essa intenção de nos dar lições também ofende aos cubanos", acrescentou o comunicado, em alusão ao envio de médicos cubanos a nações pobres da região.

 

A Assembleia cubana também condenou a política externa europeia."Nós, cubanos, rechaçamos a imposição, a intolerância e a pressão como norma nas relações internacionais".

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