Cuba diz que fim de embargo dos EUA beneficiaria os dois países

Estados Unidos e Cuba se beneficiariam com o fim do embargo econômico que Washington aplica há mais de meio século à ilha, embora o presidente Barack Obama tenha reforçado as sanções desde que chegou à Casa Branca em 2009, disse nesta quinta-feira o chanceler cubano, Bruno Rodríguez.

NELSON ACOSTA, Reuters

20 de setembro de 2012 | 19h34

A medida que Havana considera "bloqueio" foi instaurada em 1962 e causou prejuízos de 108 billhões de dólares a Cuba até dezembro de 2011, explicou Rodríguez a jornalistas, na primeira vez que uma autoridade da ilha destaca que o fim do embargo causaria bons resultados bilaterais.

"Se os Estados Unidos encerrarem o bloqueio, eliminariam uma restrição à liberdade de viajar (aos norte-americanos), abririam um mercado aos EUA de 11 milhões de pessoas, permitiriam o desenvolvimento de relações culturais sem quaisquer restrições", disse ele.

"O presidente Obama tem todos os poderes (...), que lhe permitiriam introduzir mudanças substanciais para o bloqueio, mesmo sem necessidade de decisões legislativas", completou ele em entrevista coletiva.

Ao se referir a um relatório a ser apresentado em breve na Assembleia Geral da ONU em Nova York, Rodríguez disse que o término das restrições siginificaria "criar empregos e acabar com a situação em que as empresas norte-americanas não podem competir".

Cuba tem pedido insistentemente que os Estados Unidos eliminem as sanções, e em 2011 na Assembleia Geral da ONU obteve o apoio de 186 nações, que votaram a favor de uma resolução não vinculante pelo fim do embargo. Apenas EUA e Israel votaram contra.

Rodríguez destacou que o encerramento do embargo poderia também melhorar a imagem dos EUA no mundo e acabar com uma "violação flagrante e sistemática dos direitos humanos".

O presidente dos EUA, Barack Obama, "endureceu a aplicação do bloqueio, e o dano humano é inestimável (...) provoca sofrimento, dificuldades que atingem cada família cubana", acrescentou o chanceler.

Obama prometeu em 2009 "reformular" as relações com Cuba e eliminou restrições de viagens à ilha para os cubano-americanos e de envio de remessas.

Mas Washington reiterou nos últimos anos que não haverá mais avanços até que o norte-americano Alan Gross, condenado a 15 anos de prisão em Havana, seja libertado. Sua prisão em dezembro de 2009 pôs fim a um ligeiro degelo entre EUA e Cuba.

Ambos os países são inimigos políticos desde pouco depois da revolução de 1959, liderada pelo ex-presidente Fidel Castro.

Tudo o que sabemos sobre:
CUBAEUAEMBARGO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.