Cuba diz que flexibilizar viagens é gesto 'minúsculo' dos EUA

Uma autoridade cubana de alto escalão disse na sexta-feira que as ações dos Estados Unidos para flexibilizar as viagens e o comércio com a ilha são um gesto "minúsculo" e afirmou que o essencial é que Washington suspenda o embargo econômico que aplica há 47 anos.

REUTERS

20 de março de 2009 | 16h26

Essa é a primeira reação oficial do governo cubano depois que o presidente Barack Obama converteu em lei um projeto que alivia um pouco as restrições de viagens e de comércio com Cuba, recrudescidas em 2004 por seu antecessor George W. Bush.

"As medidas tomadas (pelos Estados Unidos) constituem um minúsculo gesto. Esperamos que venham novas medidas. O fundamental é que se suspenda o injusto bloqueio econômico que já tem uma fatura de 93 bilhões de dólares", disse o vice-ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Ricardo Guerrero.

A lei, que estabelece o uso de 410 bilhões de dólares para financiar as operações de Washington até 30 de setembro, permitirá aos cubanos norte-americanos visitar a ilha anualmente, em vez de a cada três anos como era até agora, e permanecer por mais de duas semanas no país.

"Era um ato absolutamente indispensável e necessário, eram medidas muito injustas (de 2004). Ou seja, embora pareça agora que são medidas muito flexíveis, esperamos um gesto superior", disse Guerrero a jornalistas após a recepção a um barco com ajuda alimentícia enviado a Cuba pelos governos do Brasil e da Espanha.

Cuba começou a importar produtos agrícolas dos Estados Unidos no ano 2000 em virtude de uma emenda ao embargo, permitindo as compras com pagamento em dinheiro vivo.

As vendas de alimentos a Cuba provenientes dos EUA alcançaram em 2008 a cifra recorde de 710 milhões de dólares em meio à alta dos preços internacionais, segundo as cifras oficiais.

O presidente Raúl Castro, um general de 77 anos, manifestou em várias ocasiões a disposição de Havana em dialogar com o novo líder norte-americano, propostas que ainda não foram respondidas por Barack Obama desde que assumiu o cargo.

No entanto, durante a campanha eleitoral, Obama disse estar disposto a conversas com as autoridades comunistas da ilha, mas rechaçou a suspensão do embargo para pressionar por reformas dentro do governo comunista.

(Reportagem de Nelson Acosta)

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