Cuba enviará mais cinco presos políticos para a Espanha

O governo cubano enviará outros cinco presos políticos para a Espanha do grupo de 52 que prometeu soltar antes de outubro, disse a Igreja Católica em comunicado no sábado.

REUTERS

10 de julho de 2010 | 17h17

Eles se juntarão a outros cinco dissidentes que estavam designados inicialmente para ser enviados ao país europeu, aumentando para 10 o número de prisioneiros a ser enviados "proximamente" para a Espanha.

"Dando continuidade ao processo de liberação de prisioneiros, informa-se os que sairão proximamente com destino à Espanha", disse o Acerbispado de Havana em nota à imprensa, que mencionou cinco presos políticos condenados em 2003 a penas entre 6 e 28 anos de prisão.

A liberação dos presos é o resultado mais concreto do inédito diálogo iniciado em maio entre o governo comunista e a Igreja Católica na ilha.

Familiares do primeiro grupo de cinco prisioneiros que sairiam rumo à Espanha esperavam no sábado para serem transportados para Havana antes de viajar para a Europa.

"Vão nos reunir em Havana, estamos esperando que um carro do governo venha nos buscar a qualquer momento para levar-nos para Havana", disse por telefone à Reuters Moralinda Paneque, mãe do preso político José Luis García Paneque.

"Soube que meu filho está a caminho de Havana também, ele vai em outro carro, ali a gente vai se encontrar", disse a mulher que mora em Las Tunas, a 657 quilômetros a leste da capital da ilha caribenha.

A liberação de cerca de 50 opositores é parte de uma insólita aproximação entre o governo e a igreja Católica que começou em abril, quando um cardeal interveio para que parassem de assediar as Damas de Branco, um grupo de esposas e mães de presos políticos.

Pouco antes do diálogo, a igreja Católica, que por décadas esteve à sombra na política local, emergiu nos últimos meses com um papel mais ativo no debate sobre os problemas de uma sociedade abatida pela crise econômica.

Seu diálogo com o governo cubano iniciado em maio obteve a liberação de um dissidente doente, o traslado de 18 para prisões próximas a suas famílias e o compromisso de liberar 52 que estão atrás das grades desde 2003, num processo conhecido como "Primavera Negra".

Esposas e mães dos presos políticos que serão soltos esperavam com ansiedade no sábado pelas liberações, enquanto continuavam a esperar por mais mudanças em Cuba.

"Acredito que este é o começo de muitas mudanças", disse a Reuters Oleivys García, esposa de Pablo Pacheco, incluindo entre os primeiros cinco presos políticos que serão liberados e viajarão à Europa.

Laura Pollan, líder das Damas de Branco, grupo que por anos tem marchado pelas ruas de Havana para exigir a liberação de seus parentes, disse que o anúncio é "inédito", mas que não deixará de realizar protestos pacíficos.

"Nós vamos continuar caminhando enquanto ficar um preso político na prisão", disse Pollán, esposa do preso político Héctor Maceda.

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