Cuba estuda como reduzir disparidades entre suas duas economias

O presidente Raúl Castro precisará detempo para fortalecer o peso cubano e unir as duas moedas quecirculam no país, mas há formas mais rápidas para melhorar opoder de compra e reduzir a insatisfação da população, segundoeconomistas. O general de 76 anos, que no domingo sucedeu formalmente aseu irmão Fidel, disse no discurso de posse que está estudandouma revalorização "gradual e prudente" da moeda nacional. Mas ele deu mais ênfase à melhoria da produção na economiacentralizada e a reformas que reduzam a burocracia que afetatodos os aspectos do cotidiano na ilha. Desde que assumiu provisoriamente o poder, em julho de2006, Raúl convidou os cubanos a manifestarem abertamente suaspreocupações. As principais reclamações foram com relação aossalários pagos pelo Estado, em torno de 350 pesos (15,75dólares), o que não chega nem perto de atender às necessidadesbásicas --apesar do subsídio aos alimentos e à gratuidade damoradia, saúde e educação. Os cubanos recebem salários na moeda nacional, mas váriosprodutos --como sabão e sapatos-- são vendidos em "pesosconversibles", que é cotado quase a 1 dólar. Um pesoconversível compra 24 pesos cubanos. "Você pode trabalhar o dia todo, mas no final tem de pedirroupas aos turistas, porque não basta. É humilhante", disse avarredora de ruas Rosa Elena, durante uma pausa do trabalho nobairro colonial da capital. Para piorar as coisas, os bens vendidos a pesosconversíveis nas lojas estatais têm um ágio de pelo menos 240por cento, usado para subsidiar os alimentos básicos. "Uma forma de melhorar o poder de compra sem aumentar ossalários seria reduzir o ágio e, portanto, os preços nas lojasde divisas, pelo menos dos produtos básicos", disse oeconomista Juan Triana. "Dessa forma não haveria mais pesos em circulação, o que éuma grande preocupação", afirmou ele na segunda-feira àAssociação Cubana das Nações Unidas. Outros economistas concordam com Raúl que a prioridade devaser melhorar a produtividade, especialmente de alimentos, o queiria reequilibrar o poder de compra sob as leis de oferta eprocura. "Nossos problemas se devem a uma escassez de produtos. Opreço do tomate ou do porco não vai cair se não produzirmosmais", disse o economista cubano Omar Everleny. "Umareavaliação tem de ser gradual, porque a questão fundamental éprodutiva, não financeira." Cerca de 60 por cento dos 11,2 milhões de habitantes deCuba têm algum acesso a moedas fortes, principalmente por meiode remessas de parentes no exterior ou contato com turistas Oresto tem de trocar seus pesos cubanos por pesos conversíveispara comprar os itens não-disponíveis na moeda nacional. Simplesmente reduzir a cotação do peso conversível ouvincular as duas cotações sem fortalecer a economia provocariainstabilidade e inflação, segundo economistas. "Se a plena unificação das moedas ainda não está aoalcance, o governo poderia alterar subsídios, preços e saláriospara reforçar agora o poder real de compra", disse Phil Peters,do Instituto Lexington, da Virginia (EUA). "Isso começaria a resolver a insatisfação política, etalvez preparasse terreno para uma moeda única posteriormente." (Tradução Redação São Paulo, 5511 5644-7745) REUTERS CP

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