Cuba expressa condolências e descreve Chávez como 'valente lutador'

Uma mistura de tristeza, auto-interesse e pavor tomou conta de Cuba noite terça-feira, após a notícia da morte do presidente venezuelano Hugo Chávez se espalhar como fogo.

Reuters

06 de março de 2013 | 01h00

Enquanto o noticiário oficial noturno dedicou seu programa inteiro ao desenrolar dos acontecimentos em Caracas, a reação do governo cubano foi lenta.

Mas tarde na noite, Cuba declarou três dias de luto e elogiou Chávez dizendo que sua "revolução bolivariana" era "irreversível" e que Cuba iria continuar a "acompanhar os venezuelanos em suas lutas".

"O presidente Chávez protagonizou uma extraordinária batalha ao longo de sua jovem e frutífera vida. Sempre lembraremos dele como um militar patriota a serviço da Venezuela (...) como honesto, lúcido, ousado e valente lutador revolucionário", disse o governo cubano.

Chávez abraçou ideologicamente Cuba e ajudou a colocar a ilha no centro da política regional. E a generosidade do país rico em petróleo sob o comando de Chávez provou ser um salva-vidas para uma economia que sofre com embargo econômico dos Estados Unidos.

Chávez é visto em Cuba como um líder insubstituível da região e salvador do socialismo.

"Mais uma vez o horizonte para toda a América Latina ficou negro", disse o vendedor de petiscos Eric Rodriguez. "Eu espero que a Venezuela aguente este baque, mas o caminho à frente para eles não será fácil, nem para Cuba", disse.

Há o temor de que Cuba irá mais uma vez perder um aliado estratégico e mergulhar em uma grave crise econômica semelhante à escassez na década de 1990, que se seguiu ao fim da União Soviética.

O governo de Chávez fornece ajuda financeira a seus aliados na América Latina, mas Havana é o seu maior beneficiário.

Segundo dados oficiais, 60 por cento das necessidades energéticas da ilha são cobertas pelo petróleo da Venezuela, enquanto Cuba exporta para Caracas serviços de cerca de 40.000 especialistas, principalmente do setor de saúde, como parte dos acordos entre os dois aliados políticos.

Logo depois que Chávez venceu sua primeira eleição em 1998, Fidel Castro ungiu o jovem e fogoso líder como seu sucessor revolucionário de esquerda na América Latina.

O presidente Raúl Castro, que substituiu seu irmão doente em 2008, fortaleceu as relações com a Venezuela, ao mesmo tempo em que forjou laços mais estreitos com outras nações produtoras de petróleo, como o Brasil, Angola, Argélia e Rússia.

A maioria dos economistas cubanos apontam que a economia cubana tornou-se mais diversificada ao longo dos últimos 20 anos, com o desenvolvimento do turismo, produtos farmacêuticos e o aumento da produção de petróleo e níquel. Mas eles dizem que a economia da ilha caribenha continua muito dependente da Venezuela.

(Por Marc Frank)

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