Cuba festeja data revolucionária sem o protagonista Fidel

Substituindo o irmão, Raul Castro participa das comemorações de 54 anos da tomada socialista na ilha

ESTEBAN ISRAEL, REUTERS

26 Julho 2007 | 09h28

Cuba começou a celebrar nesta quinta-feira, 26, a data mais importante do seu calendário revolucionário sem o protagonista Fidel Castro, há um ano afastado do poder por problemas de saúde.Faz exatamente 12 meses que o Comandante proferiu seu último discurso antes de adoecer e transferir o poder a seu irmão Raúl, que na quinta-feira ocupou seu lugar num ato na cidade de Camaguey em alusão aos 54 anos do ataque ao quartel Moncada, na cidade de Santiago de Cuba, marco do início da luta armada de Fidel.Mais de 100 mil pessoas participaram da festa, agitando bandeirinhas cubanas na praça da Revolução de Camaguey, cidade pecuarista 535 quilômetros a sudeste de Havana. "Vivam Fidel e Raúl! Socialismo ou morte!", gritava o público.Há um ano, os cubanos só vêem Fidel em fotos e vídeos divulgados esporadicamente pela imprensa estatal. O dirigente completa 81 anos em agosto.Nos últimos meses, ele vai gradativamente recuperando espaço, por meio de artigos publicados na imprensa estatal a respeito da política internacional e, eventualmente, de temas domésticos ou mesmo esportivos, como o Pan do Rio.Contrariando os prognósticos do arquiinimigo EUA, o socialismo cubano sobreviveu ao primeiro ano sob o comando de Raúl, um general com fama de pragmático, há mais de meio século ao lado do irmão nas lutas revolucionárias."Este povo e este país saberão ser conseqüentes com sua gloriosa história," dizia um gigantesco cartaz com a foto de Fidel colocado junto ao palanque do ato em Camaguey.O Dia da Rebeldia é considerado a data nacional de Cuba. Ele alude ao assalto quase suicida ao quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, que Fidel liderou em 26 de julho de 1953, na esperança de provocar uma insurreição contra a ditadura de Fulgencio Batista.A operação foi um sangrento fracasso, que custou a vida da maioria dos seus companheiros. Preso, Fidel foi posteriormente perdoado e se refugiou no México, onde reuniu o grupo que voltaria a Cuba para fazer a revolução, afinal vitoriosa no primeiro dia de 1959.

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