Cuba impede ida de opositores a enterro de dissidente, diz ONG

Segundo órgão ligado a anticastristas, Raúl reforça segurança e prende ativistas que tentaram ir a funeral

estadao.com.br,

25 de fevereiro de 2010 | 14h48

O corpo do dissidente cubano, Orlando Zapata, morto na última terça-feira após uma greve de fome de 85 dias, foi enterrado hoje em Banes, a cerca de 900 km de Havana, em meio a um forte esquema de segurança, segundo a oposição ao regime dos irmãos Castro.

Veja também:

linkHavana aumenta repressão a dissidentes 

linkEspanha pede que Cuba liberte presos

Alguns familiares e dissidentes estiveram presentes ao funeral. Segundo a ONG Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, a cerimônia aconteceu pela manhã e muitos opositores foram impedidos de chegar à cerimônia, ou foram presos.

A organização não precisou números sobre as supostas prisões.  Vladimiro Roca, um dos dissidentes presentes no enterro, havia uma grande operação de segurança em torno da casa onde acontece o velório.

 

Ontem, o presidente cubano, Raúl Castro, lamentou a morte do preso político e culpou os EUA pelo episódio. Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos", disse Castro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, irritado, também se manifestou sobre a morte do preso.

"Temos de lamentar, como ser humano, sobre alguém que morreu porque decidiu fazer greve de fome, que vocês sabem que eu sou contra porque fiz greve de fome", afirmou Lula.

Ainda na quarta-feira, os EUA e a União Europeia condenaram a morte de Zapata. O porta-voz do departamento de Estado americano PJ Crowley disse que o governo do presidente Barack Obama está profundamente entristecido com a morte do oposicionista e que o caso foi tratado por diplomatas americanos em Havana na semana passada.  

 

"O caso do senhor Zapata evidencia a injustiça de Cuba manter 200 prisioneiros políticos que deveriam ser soltos sem demora", disse.

Em Bruxelas, o porta-voz da Comissão Europeia (órgão executivo da UE) John Clancy também pediu a libertação dos presos políticos cubanos. "A Comissão Europeia lamenta a morte de Zapata e oferece suas condolências à família", disse. 

 

Com informações da Associated Press

Tudo o que sabemos sobre:
CubaLulaRaúldissidentes

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.