Cuba liberta preso político que rejeita exílio

Cuba libertou na sexta-feira um preso político que rejeitava a condição de partir para o exílio. Agora já são 43 dissidentes soltos graças a um acordo do ano passado entre o governo de Raúl Castro e a Igreja Católica.

REUTERS

11 de fevereiro de 2011 | 18h05

O agricultor Eduardo Díaz, condenado a 21 anos de prisão durante a onda repressiva de 2003, voltou na sexta-feira para sua casa em liberdade condicional.

"Eu me sinto contente, grato à Igreja pelas gestões que ela fez", disse Díaz à Reuters por telefone, falando de sua casa, em uma pequena cidade a oeste de Havana.

Ele foi autorizado pelas autoridades a permanecer no país, ao contrário do que ocorreu com a maioria dos presos libertados nos últimos meses, que foram obrigados a se exilar na Espanha.

Em nota, a Arquidiocese de Havana disse que o governo decidiu libertar também o dissidente Héctor Maseda.

Mas a esposa dele, Laura Pollán, líder do grupo Damas de Branco, que reúne familiares de presos políticos, afirmou que seu marido se recusa a deixar a prisão enquanto não sejam libertados outros dissidentes doentes, e que ele tampouco aceita a liberdade condicional.

"No dia em que ele sair da prisão, deve ser com liberdade incondicional ou com um indulto", disse Pollán à Reuters.

Angel Moya, outro preso político cuja libertação foi anunciada na semana passada, também se nega a sair do calabouço pelas mesmas razões.

Raúl Castro acatou em 2010 o pedido da Igreja para libertar 52 presos de consciência. Nove deles continuam detidos por se negarem a partir para o exílio.

Díaz afirmou que continuará lutando por mudanças em Cuba. "Isto aqui precisa mudar. Isto não dá mais, o país está na bancarrota. E realmente é penoso que tenham nos mantido oito anos sequestrados na prisão sendo lutadores pacíficos."

(Reportagem de Nelson Acosta)

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