Cuba libertará cerca de 3 mil presos

Cuba vai libertar 2.900 presos nos próximos dias por razões humanitárias, em uma anistia ampla antes de uma visita, em 2012, do papa Bento 16, disse o governo cubano na sexta-feira.

JEFF FRANKS, REUTERS

24 de dezembro de 2011 | 13h48

Os perdoados não incluem o norte-americano Alan Gross, que cumpre pena de 15 anos de prisão pela implantação de equipamentos de Internet na ilha em um programa secreto dos Estados Unidos, um caso que paralisou o progresso das relações EUA-Cuba, disse um porta-voz do governo.

O presidente Raúl Castro disse que a decisão do Conselho de Estado que concedeu a anistia tinha "levado em conta" a próxima visita papal e pedidos, entre outros, de altas autoridades da Igreja Católica em Cuba e os familiares dos presos.

A ação mostrou a "generosidade e força" da revolução cubana, disse ele em discurso à Assembleia Nacional.

Entre aqueles que serão libertados, há condenados por crimes contra "a segurança do Estado", mas o porta-voz do governo disse que eles não foram presos por motivos políticos.

Cuba libertou mais de 100 prisioneiros políticos em um acordo mediado pela Igreja Católica em 2010. Dissidentes cubanos disseram que ainda há pelo menos 60 pessoas atrás das grades por motivos políticos.

Elizardo Sanchez, chefe da Comissão Cubana de Direitos Humanos, um grupo independente, minimizou a importância da libertação de prisioneiros.

"É uma medida rasa do governo, um gesto para melhorar sua imagem internacional", disse ele.

Os prisioneiros libertados incluem pessoas de mais de 60 anos de idade, presos que estão doentes, mulheres e alguns prisioneiros jovens que não tinham antecedentes criminais, disse o governo.

Castro disse que 86 dos presos são estrangeiros de 25 países que cometeram crimes em Cuba, mas que eles seriam libertados somente se os seus países concordarem em repatriá-los.

O papa Bento 16 disse recentemente que visitará Cuba antes da Páscoa, que será em 8 de abril. Será a segunda visita papal a Cuba desde a viagem histórica do papa João Paulo 2o em 1998.

Após essa visita, na qual o pontífice criticou o embargo comercial dos EUA contra Cuba, o governo cubano libertou cerca de 300 prisioneiros, incluindo 101 presos políticos. Os outros estavam na prisão por crimes comuns.

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