Cuba limitará mandatos, mas com partido único, diz Raúl Castro

Cuba aplicará de modo paulatino uma reforma que acabará com a ocupação por tempo ilimitado de cargos públicos e partidários, anunciou o presidente Raúl Castro no domingo, numa das mais relevantes alterações da estrutura política no país em meio século.

ROSA TANIA VALDES, REUTERS

30 de janeiro de 2012 | 13h29

Mas, em discurso numa conferência nacional do Partido Comunista, ele disse que a ilha manterá o regime de partido único. "À medida que avançarmos na definição de todos os ajustes que será necessário introduzir na Constituição da República (...), implementaremos a decisão de limitar a um máximo de dois mandatos consecutivos de cinco anos os principais cargos políticos e estatais", disse Raúl.

"Uma vez definidas e acordadas as políticas pelas instâncias pertinentes, podemos iniciar sua aplicação paulatina sem esperar pela reforma constitucional", acrescentou, sem citar datas.

Cuba atualmente implementa mais de 300 reformas econômicas destinadas a tornar a economia mais eficiente e a salvar o sistema socialista.

A adoção de um limite à ocupação de cargos públicos é considerada estratégica num país que passou quase 49 anos sendo governado pelo dirigente Fidel Castro, que em 2008 transferiu o cargo de forma definitiva a Raúl, seu irmão caçula. Analistas dizem que a reforma servirá para democratizar o regime.

Mas Raúl admitiu que Cuba não tem no momento sucessores experientes em condições de substituir a já octogenária geração que chegou ao poder com a revolução de 1959.

Em seu discurso, transmitido pela TV local, Raúl disse também que "renunciar ao princípio de um só partido equivaleria simplesmente a legalizar o partido ou os partidos do imperialismo em solo pátrio, e sacrificar a arma estratégica da unidade dos cubanos"

O governo cubano considera que a pequena e fragmentada oposição interna age como "mercenária" a soldo dos EUA.

Raúl afirmou ainda que continua empenhado em combater a corrupção, mal que o governo aponta como principal inimigo da revolução e do socialismo na ilha. Quatro comissões do partido analisaram no fim de semana esse e outros temas, como a erradicação das discriminações e a maior inclusão de minorias em cargos de direção.

Espera-se também que Raúl aprove uma reforma migratória que flexibilize os trâmites de entrada e saída de cubanos do país, embora o presidente tenha dito que a implementação dessa medida também será gradual.

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