Cuba não deve explicação sobre eventual base russa, diz Fidel

Ex-presidente diz que o irmão, Rául, fez muit bem em manter silêncio digno sobre rumores de jornal russo

REUTERS

24 de julho de 2008 | 10h24

Cuba não precisa se explicar nem "pedir perdão" pelos rumores surgidos nesta semana na imprensa russa de que Moscou usaria a ilha comunista como base de reabastecimento para aviões militares, disse o dirigente Fidel Castro na quarta-feira, 23. Em artigo publicado no site Cubadebate, o ex-presidente não esclareceu se os rumores são verdadeiros ou falsos. "Raúl (Castro, atual presidente e irmão de Fidel) fez muito bem em manter um silêncio digno", escreveu Fidel, de 81 anos, que costuma publicar textos opinativos desde que deixou o poder, por motivos de saúde. "Não é preciso dar explicações nem pedir desculpas ou perdão", acrescentou o veterano revolucionário. Citando "uma fonte altamente posicionada", o jornal russo Izvestia disse nesta semana que a Rússia pode levar para Cuba seus bombardeiros supersônicos Tu-160 (os "Cisnes Brancos", com capacidade para transportar ogivas nucleares), em reação à eventual instalação de um escudo antimísseis dos EUA no Leste Europeu. Na terça-feira. o brigadeiro americano Norton Schwartz disse ao Senado dos EUA que a hipótese de reabastecimento dos bombardeiros russos em Cuba "indica que é algo que cruza um limite, cruza uma linha vermelha para os Estados Unidos da América". As autoridades russas desmentiram a informação do Izvestia, mas o caso reavivou as lembranças da Crise dos Mísseis, em 1962, quando EUA e União Soviética estiveram à beira da Terceira Guerra Mundial devido à instalação de mísseis soviéticos na ilha, que fica a menos de 150 quilômetros da Flórida.  O então dirigente soviético, Nikita Khurschov, aceitou retirar os mísseis de Cuba depois que o governo de John Kennedy se comprometeu a nunca invadir Cuba e a tirar seus mísseis da Turquia. Fidel disse que as declarações do brigadeiro Schwartz, que foi indicado para comandar a Força Aérea, são um exemplo da "estratégia maquiavélica que o império aplica a Cuba". "Se você disser que sim, eu te mato. Se disser que não, dá na mesma, te mato do mesmo jeito", escreveu ele. Líder da revolução de 1959, que viria a instalar o comunismo em Cuba, Fidel governou o país até julho de 2006, quando se afastou devido a uma cirurgia intestinal e não foi mais visto em público. Em fevereiro desde ano, foi definitivamente substituído por Raúl na Presidência, mas mantém grande influência na estrutura do Partido Comunista e na sociedade como um todo, por intermédio dos seus artigos.

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