Efe/Alejandro Ernesto
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Cuba pede que EUA levantem embargo econômico em dia de eleições municipais

Declaração de presidente do Parlamento foi feita em resposta a afirmação de Hillary Clinton

25 de abril de 2010 | 19h16

Efe

 

HAVANA- Cuba pediu aos Estados Unidos para levantar o bloqueio econômico sobre a ilha neste domingo, 25, durante uma jornada de eleições municipais marcada pela habitual alta participação e por um novo ato de repressão contra as Damas de Branco. Mais de 8,4 milhões de cubanos foram convocados a participar do pleito.

 

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O presidente Raúl Castro foi mais um dos madrugadores ao ser o primeiro a votar em seu colégio em uma cidade próxima a Havana enquanto a televisão mostrou o momento em que a cédula de votação do ex-governante Fidel Castro era depositada por intermediários em uma urna eleitoral, sem que tenham sido divulgadas imagens ou mensagens do líder da revolução cubana.

 

Fidel se mantém afastado da vida pública há quatro anos desde que uma doença o obrigou a ceder o poder a seu irmão Raúl, embora continue sendo o primeiro-secretário do governante Partido Comunista.

 

Quem fez declarações após votar foi o presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular (Parlamento), Ricardo Alarcón, quem instou os Estados Unidos a levantarem o bloqueio econômico que aplicam contra Cuba há meio século e assim mostrar qual das partes tem interesse que ele se mantenha.

 

A declaração foi uma resposta à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que no começo de abril disse que os irmãos Fidel e Raúl Castro não querem o fim do embargo à ilha porque "perderiam todas suas desculpas pelo que não ocorreu em Cuba nos últimos 50 anos".

 

"Se de verdade acredita que o bloqueio beneficia o governo cubano, a solução é muito simples: o levantem, nem que seja por um ano para provar de quem era o interesse, nosso ou deles", disse o presidente da Assembleia.

 

O pleito foi marcado também por um novo ato contra as Damas de Branco (ou de "repúdio" como se chama em Cuba), mulheres familiares de opositores presos desde 2003 que pedem sua liberdade com passeatas pacíficas.

 

Pela terceira semana consecutiva as Damas de Branco não puderam desfilar pela Quinta Avenida de Havana, como costumam fazer todos os domingos, porque dezenas de seguidores do governo de Raúl Castro as encurralaram cantando palavras de ordem a favor da revolução e contra o grupo de mulheres dissidentes, depois que agentes de segurança reiterassem verbalmente a proibição de desfilar.

 

Salvo este incidente, a votação em Cuba transcorreu com aparente tranquilidade dominical e afluência em massa de eleitores. Segundo as autoridades eleitorais do país, só nas quatro primeiras horas de votação foi registrada uma participação superior a 70%.

 

Entre as curiosidades das eleições cubanas destaca-se o uso de pombos-correio que, se necessários, transferem votos de zonas remotas ou de difícil acesso para sua apuração, uma prática habitual também em situações de emergência ou para realizar os censos de população.

 

No pleito deste domingo, os cubanos escolheram mais de 15 mil delegados municipais(o equivalente a vereadores), escolhidos entre mais de 34 mil candidatos que por sua vez foram nomeados por assembleias populares.

 

Nestas eleições 324.464 jovens maiores de 16 anos voaram pela primeira vez. Em Cuba há pleitos municipais a cada dois anos e meio e para a Assembleia Nacional a cada cinco.

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