Cuba pede sete anos de prisão para Carromero e liberta dissidentes

Juízes cubanos pediram uma pena de sete anos de prisão para o jovem político espanhol que estava dirigindo o carro envolvido no acidente no qual morreu o proeminente dissidente Oswaldo Payá, em um julgamento com forte tom político, com a prisão da blogueira Yoani Sánchez.

Reuters

06 de outubro de 2012 | 16h31

Depois de várias horas de tensão, a blogueira, que havia viajado para acompanhar o julgamento, foi libertada na noite de sexta-feira, sem nenhum registro de acusação contra ela, segundo ela mesma informou à Reuters por telefone.

Angel Carromero, de 26 anos e vice-secretário de Novas Gerações do Partido Popular em Madri, foi acusado de "homicídio" e admitiu no tribunal que perdeu o controle do veículo ao dirigir na estrada em obras, batendo contra uma árvore.

"O Ministério Público pediu uma sentença de sete anos de prisão, com uma pena adicional de limitação de direitos e a suspensão da sua carteira de habilitação", disse a promotora, Isabel Bárzaga.

"Estamos na presença de uma pessoa absolutamente imprudente", ela acrescentou durante um julgamento muito demorado, que durou mais de 11 horas, na cidade de Bayamo, a cerca de 668 quilômetros da capital Havana.

O tribunal de Bayamo terá seis dias úteis e prorrogáveis, caso seja necessário, para emitir uma sentença, disseram as autoridades judiciais.

Depois do pedido do Ministério Público, a advogada de defesa, Dorisbel Rojas, pediu que as acusações contra o seu cliente fossem retiradas.

"Absolvam nosso cliente por falta de provas e estarão fazendo justiça", disse Rojas diante do tribunal, alegando o mau estado da estrada.

Após o julgamento, o cônsul geral da Espanha em Cuba, Tomás Rodríguez Pantoja, elogiou a defesa, agradeceu o tratamento dado a Carromero pelas autoridades cubanas e se mostrou otimista quanto a uma eventual redução da pena.

"O julgamento foi processualmente correto ... Do ponto de vista espanhol, pelo menos, existem razões para sermos otimistas. Tenho quase certeza que vai haver uma redução da pena, e acredito que será considerável, diante do que foi discutido", declarou Rodríguez Pantoja a jornalistas, na saída do tribunal.

Antes da audiência, organizações de direitos humanos denunciaram a detenção de vários dissidentes, entre eles Yoani, e exigiram a libertação e informação sobre o paradeiro deles.

Yoani, seu marido Reinaldo Escobar e o motorista do veículo que viajavam foram libertados em Havana na noite de sexta-feira.

(Reportagem de Nelson Acosta e Rosa Tania Valdés)

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