Cuba pode dialogar com os EUA, mas não como 'subordinado'

Chanceler cubano reitera disposição em 'conversar seriamente' com Washington, mas não 'de joelhos'

Efe,

04 de julho de 2008 | 17h21

O ministro de Relações Exteriores cubano, Felipe Pérez Roque, reiterou nesta sexta-feira, 4, a disposição de seu país a "conversar seriamente" com os Estados Unidos para resolver as diferenças, mas não como país "subordinado" nem "de joelhos."   Veja também: Cuba diz que não irá tolerar 'dissidência instigada pelos EUA'   Cuba permanecerá "disposta a conversar seriamente com as autoridades dos Estados Unidos, se eles o decidirem, em qualidade de igualdade de direitos, não como país subordinado ou dependente que vai de joelhos para pedir perdão", disse Pérez Roque em declarações divulgadas pela agência estatal cubana Prensa Latina.   "Cuba conversaria como nação independente que completa 50 anos de uma revolução vitoriosa e que ganhou um lugar no mundo por sua fidalguia", acrescentou o chanceler em Ilha Margarita (Venezuela), onde participa da 7ª conferência de Ministros de Informação do Movimento de Países Não-Alinhados (Noal).   Pérez Roque disse que seu país continuará lutando para que "cessem as campanhas de mentiras e as tentativas de subversão e de isolamento", lembrando que existem precedentes no oferecimento de colaboração aos EUA em "temas nobres e importantes" como a luta contra o narcotráfico e a emigração ilegal.   "Eles é que têm que decidir que curso adotar em relação a Cuba. Nós continuaremos firmes aqui, no meio do mar Caribe e daqui não há quem nos movimente. Como ninguém nos poderá movimentar de nossa determinação de ser um povo livre e independente", afirmou.   O chanceler destacou que Cuba "não é quem bloqueia os Estados Unidos", em referência ao embargo econômico que Washington mantém há mais de 45 anos contra a ilha, nem tenta isolar, "demonizar", "mentir" e "orquestrar campanhas" contra o país vizinho do norte.   Eleições nos EUA   Sobre o próximo governo dos Estados Unidos, o chefe da diplomacia cubana disse que "embora seja muito cedo para antecipar uma opinião sobre o tema, Cuba se mantém invariável em sua posição de princípios".   "Não sabemos qual vai ser o próximo governo e só temos ouvido o que os candidatos declaram no meio de uma campanha, que como sabemos está viciada pelo dinheiro, pela politicagem e pela necessidade de captar apoio a qualquer preço", acrescentou.   No dia 2 de dezembro de 2006, data em que se comemorou o 50º aniversário das Forças Armadas Revolucionárias, o presidente cubano, Raúl Castro, ofereceu aos Estados Unidos a solução das diferenças na "mesa de negociações."   "Sirva a oportunidade para novamente declarar nossa disposição de resolver na mesa de negociações a prolongada diferença entre EUA e Cuba", disse Raúl Castro, na época presidente provisório do país por causa da convalescença do líder cubano, Fidel Castro.   A oferta foi reiterada em julho de 2007, quando o general Castro afirmou que "a nova administração (nos EUA, terá que decidir) se mantém a absurda, ilegal e fracassada política contra Cuba ou aceita o 'ramo de oliveira' que estamos estendendo."

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