Cuba prende executivos de estatal de telefonia por corrupção

Cuba deteve executivos de alto escalão acusados de corrupção na estatal de telefonia ETECSA, segundo fontes familiarizadas com o caso.

MARC FRANK, REUTERS

09 de agosto de 2011 | 17h40

Vários executivos da Empresa de Telecomunicações de Cuba SA foram detidos em julho, e o presidente da companhia, Maimir Mesa, e a maioria dos seus vice-presidentes foram afastados, segundo essas fontes.

A ETECSA, que pertence ao Estado cubano e a empresas militares, é uma das dez maiores empresas de Cuba, com um faturamento anual bem superior a 500 milhões de dólares.

"Cinco ou seis diretores de departamento e subdiretores, e talvez um vice-presidente, foram presos até agora, e o vice-presidente de logística, que estava no Panamá quando a investigação começou, decidiu não voltar", disse uma fonte.

"Mas a investigação mal começou, e muito mais gente pode estar envolvida", disse essa fonte, acrescentando que um vice-presidente aposentado da empresa foi levado a Havana para ser interrogado.

As fontes disseram que há duas investigações paralelas em curso, uma envolvendo o crescente negócio da telefonia celular, e outra relacionada a um cabo de fibra óptica financiado pela Venezuela, ligando Caracas a Cuba.

Essa ligação, que custou 70 milhões de dólares e contornaria as restrições impostas pelos EUA ao acesso cubano à Internet, deveria ter sido inaugurada em julho, mas foi adiada, oficialmente por dificuldades técnicas.

O número de celulares em atividade em Cuba triplicou entre 2008 e 2010, chegando a mais de 1 milhão de unidades, segundo estatísticas oficiais. Cartões de telefonia celular às vezes podem ser comprados no mercado negro.

O presidente Raúl Castro, que vem promovendo reformas para descentralizar a economia e torná-la mais eficiente, fez do combate à corrupção uma das suas maiores prioridades.

Desde que assumiu oficialmente o governo, em 2008, Raúl criou uma Controladoria Geral, e centenas de altos funcionários do Partido Comunista, além de gestores e empregados do governo, perderam seus empregos. Vários deles foram presos.

A imprensa estatal cubana não aborda os escândalos de corrupção, mas eventualmente anuncia veredictos quando os casos são concluídos. Mas, quando há altos funcionários envolvidos, o assunto acaba caindo na boca do povo, com várias versões diferentes a respeito dos detalhes.

Segundo diplomatas estrangeiros em Cuba, o país não sofre com a corrupção relacionada ao narcotráfico, como acontece em outros países latino-americanos e caribenhos. Mas, de acordo com eles, a corrupção é abundante nas operações financeiras e comerciais com o exterior.

"Um grande problema é que não há transparência, não há ofertas abertas quando Cuba vai ao mercado", disse um empresário estrangeiro que pediu anonimato.

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