Cuba quer fim de embargo, não esmola, diz Fidel Castro

Declarações foram feitas após Obama anunciar o levantamento de restrições de viagens e remessas à ilha

Agências internacionais,

14 de abril de 2009 | 00h38

 O ex-presidente Fidel Castro afirmou nesta segunda-feira, 13, que "Cuba resistiu e continuará resistindo" e "não estenderá jamais suas mãos pedindo esmola", horas depois de o presidente Barack Obama levantar restrições sobre viagens e transferências de dinheiro por cubano-americanos. "Nem uma palavra foi dita sobre o embargo, que é a mais cruel de todas as ações", disse Castro, num artigo publicado no site oficial Cubadebate, em reação à decisão do presidente americano.

 

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Cuba "seguirá adiante com a cabeça erguida, cooperando com os povos irmãos da América Latina e do Caribe, haja ou não cúpulas das Américas, presida ou não Obama os EUA, um homem ou uma mulher, um cidadão branco ou um cidadão negro", diz Fidel. O líder cubano, de 82 anos e ainda primeiro-secretário do governante Partido Comunista, diz também que "agora só falta Obama persuadir (na cúpula do próximo fim de semana em Trinidad e Tobago) todos os presidentes latino-americanos de que o bloqueio é inofensivo".

 

Fidel assegura em sua coluna "Reflexões" que "Cuba não aplaude as mal chamadas Cúpulas das Américas, onde os países não discutem em igualdade de condições". O artigo registra o anúncio feito pelo governo Obama, citando o que foi dito em Washington em coletiva de imprensa pelo assessor presidencial para a América Latina, Dan Restrepo, e detalha que o diplomata, ao terminar, "confessou com franqueza: 'Tudo é feito pela liberdade de Cuba'".

 

Também revela que antes, na tarde da segunda-feira, "o chefe do Escritório de Interesses de Cuba em Washington, Jorge Bolaños, foi citado pelo subsecretário de Estado, Tomas Shannon", mas que não foi dito nada de novo a respeito da política americana.

 

Fidel diz que antes "o governo dos EUA anunciou" que esta semana Obama aliviaria "algumas odiosas restrições (...) aos cubanos residentes nos EUA para visitar seus familiares em Cuba". "Quando se indagou se tais prerrogativas reconheciam outros cidadãos americanos, a resposta foi que não estavam autorizados", diz Fidel no artigo. "As condições são tais que Obama poderia usar seu talento na direção de uma política construtiva que possa encerrar o que já fracassou por quase meio século", afirmou o ex-presidente cubano.

 

Matéria atualizada às 7h20.

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