Cuba registra disparada no preço dos alimentos

Os cubanos pagaram quase 20 por cento a mais pelos alimentos em 2011, porque as reformas econômicas, as reduções nas importações e a estagnação da produção agrícola fizeram a inflação disparar nos mercados da ilha.

MARC FRANK, REUTERS

31 de janeiro de 2012 | 20h43

O Escritório Nacional de Estatísticas disse em seu site (www.one.cu) que a carne subiu 8,7 por cento, e que outros produtos tiveram alta de até 24,1 por cento. Na média, o índice de inflação dos alimentos ficou em 19,8 por cento no ano passado.

Essa é uma má notícia para o presidente Raúl Castro, que tem atenuado o controle do Estado sobre a agricultura e o varejo e dado mais espaço à iniciativa privada, como parte de mais de 300 reformas adotadas no ano passado pelo Partido Comunista com a intenção de "modernizar" a economia - embora as autoridades alertem que a transição será difícil.

Outras economias centralizadas também registraram surtos inflacionários quando começaram a realizar reformas semelhantes, mas no caso de Cuba o governo esperava que a melhora na produtividade iria contrabalançar as pressões sobres os preços.

Desde que substituiu seu irmão Fidel como presidente, em 2008, Raúl promete priorizar a reforma agrícola e a produtividade dos alimentos. Mas no ano passado a produção agrícola aumentou apenas 2 por cento, depois de cair 2,5 por cento em 2010. Atualmente, Cuba produz menos alimentos do que produzia em 2005.

Ao mesmo tempo, Raúl reduziu as importações de alimentos para cortar gastos e evitar um maior endividamento do Estado. Devido à baixa produtividade agrícola, Cuba importa 60 a 70 por cento dos alimentos que consome, o que devasta o seu orçamento.

Além disso, o governo também autorizou os agricultores a venderem parte da sua produção a preços de mercado.

A carestia motiva muitas queixas dos cubanos, cujo poder de compra encolheu por causa das reformas.

"Tudo está subindo, menos os salários. O que eu comprava ontem por um peso hoje custa 1,10 ou 1,20 peso, mas continuo ganhando o mesmo", disse uma cubana que se identificou apenas como Angelina, funcionária de um escritório em Havana.

Embora todos os cubanos recebam uma ração alimentícia mensal com subsídios, ela não é suficiente para sobreviver, então é preciso comprar alimentos adicionais nos mercados e em outros lugares que não foram incluídos no relatório do departamento de estatísticas.

A alta dos preços certamente terá um grande impacto entre os estimados 40 por cento da população que dependem de salário ou pensões estatais, sem terem acesso a outras fontes de renda, como remessas de parentes no exterior.

O salário médio subiu poucos pontos percentuais em 2011, chegando ao equivalente a 19 dólares por mês, segundo o governo, ao passo que as pensões, que valem em média pouco mais de 10 dólares por mês, se mantiveram estagnadas.

"Não há dúvida de que os preços estão subindo, e pelo que posso ver no noticiário o problema é mundial", disse por telefone Yoandry Leyva, vendedor de peças hidráulicas em Santiago de Cuba (leste).

"Mas eu vivo em Cuba e os problemas são meus. A cada dia os preços sobem e eu continuo ganhando o mesmo. Espero que eles resolvam, porque a cada dia é mais difícil", afirmou.

Tudo o que sabemos sobre:
CUBAINFLACAOALIMENTOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.