Cuba se prepara para libertar presos políticos

Cuba irá liberar cinco presos políticos na primeira fase da libertação de 52 prisioneiros, informou nesta quinta-feira a Igreja Católica. O governo começa a cumprir então com uma histórica decisão que poderia mudar suas relações com os Estados Unidos e a Europa.

NELSON ACOSTA E ROSA TANIA VALDÉS, REUTERS

08 de julho de 2010 | 21h44

O anúncio do que seria a maior libertação de presos políticos cubanos em duas décadas, resultado de um diálogo entre o governo comunista e a Igreja, foi aplaudido internacionalmente e levou a um emblemático dissidente a suspender uma greve de fome.

"Como adiantamos na nota de ontem (quarta-feira), cinco prisioneiros poderão sair rumo à Espanha nos próximos dias" em companhia de seus familiares, disse o arcebispado de Havana em comunicado à imprensa.

Outros seis dissidentes que fazem parte do grupo serão levados nas "próximas horas" a prisões perto de onde moram seus familiares, o primeiro passo antes da libertação definitiva, acrescentou uma nota anterior.

A libertação prometida de uma centena de presos políticos detidos desde março de 2003, num processo conhecido como "Primavera Negra", é a medida mais contundente do presidente Raúl Castro para frear as críticas sobre a situação dos direitos humanos na ilha.

A condenação de parte da comunidade internacional pela morte, em fevereiro, do dissidente Orlando Zapata após 85 dias de greve de fome exigindo melhores condições de detenção, levou Raúl a se reunir com a Igreja Católica cubana para encontrar uma saída ao problema.

Familiares dos primeiros dissidentes que serão liberados ficaram surpresos com a notícia.

"Estou muito nervosa, mas feliz porque vai acontecer", disse por telefone à Reuters Moralinda Paneque, mãe de José Luis García Paneque, de 44 anos e condenado em 2003 a 24 anos de prisão.

"Sabia que esse momento chegaria algum dia, mas não assim tão rápido como hoje", acrescentou.

O anúncio das libertações levou o dissidente Guillermo Fariñas a suspender nesta quinta-feira sua greve de fome de 135 dias, que começou depois da morte de Zapata.

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