Cuba vai libertar 7 dissidentes, diz Espanha

Presos são parte de grupo de 59 pessoas encarcerados desde 2003; última libertação foi em agosto

REUTERS

15 de fevereiro de 2008 | 18h42

Cuba vai libertar sete dos 59 dissidentes presos desde agosto de 2003, disse na sexta-feira o chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos. A última libertação de presos políticos na ilha data de agosto. "A decisão foi tomada unilateralmente pelas autoridades cubanas e estamos satisfeitos", disse Moratinos a uma rádio, afirmando que houve um diálogo com Havana para que se chegasse a tal decisão. Os dissidentes serão libertados por razões de saúde, segundo a rádio. O jornal El País informou em seu site que quatro dos presos serão enviados à Espanha com suas famílias para tratamento médico. A principal entidade cubana de direitos humanos disse que os sete dissidentes são Omar Pernet Hernandez, José Gabriel Ramón Castillo, Alejandro Gonzalez Raga, Jorge Luis García Paneque e Pedro Pablo Alvarez Ramos, além de um outro não-divulgado. De acordo com esse grupo, liderado pelo ativista Elizardo Sánchez, os presos foram levados de diferentes lugares de Cuba para a maior prisão de Havana, de onde devem ser libertados. "É uma ótima notícia", comemorou o dissidente Manuel Cuesta Morúa. "Mostra que o governo cubano está reagindo aos pedidos da comunidade internacional pela libertação deles." Ele acrescentou que isso é um dos "resultados concretos" da política de diálogo defendida pela Espanha dentro da União Européia. Os dissidentes haviam sido presos durante uma onda de repressão em março de 2003, quando 75 adversários do regime comunista foram condenados a até 28 anos de prisão. Desse total, 16 já foram soltos por motivos de saúde. Sánchez disse que havia 234 presos políticos em Cuba no final de 2007, abaixo dos 283 de um ano antes -- período em que o comando do país passou das mãos de Fidel Castro, afastado por doença, para seu irmão Raúl, agora presidente interino. Em agosto, Cuba concedeu liberdade condicional ao seu mais antigo preso político, Francisco Chaviano Gonzalez, ex-professor de matemática que passara mais de 13 anos detido. Morúa disse que mais presos devem ser soltos, porque Havana se prepara para assinar em março a Convenção Internacional da ONU sobre Direitos Civis e Políticos, além de um pacto similar sobre direitos econômicos e sociais. Isso obrigaria Cuba a aceitar um monitoramento regular da ONU sobre seus direitos humanos, a partir de 2009. O governo não permite que a Cruz Vermelha Internacional tenha acesso a suas prisões e nega manter presos políticos -- diz que os dissidentes são "mercenários contra-revolucionários" a soldo dos Estados Unidos. (Reportagem de Jason Webb em Madri e Anthony Boadle em Havana)

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