Cubanos de Miami não se empolgam com renúncia de Fidel

Para dissidentes e especialistas, saída do cargo não representará mudanças imediatas na ilha comunista

Agência Estado e Associated Press,

19 de fevereiro de 2008 | 11h27

As ruas do bairro Little Havana, em Miami, amanheceram nesta terça-feira, 19, sem muita alteração diante da notícia de que o presidente cubano, Fidel Castro, havia renunciado ao poder. Motoristas no bairro da comunidade formada por exilados cubanos opositores de Fidel buzinavam ao passar por equipes de TV.   Após 49 anos no poder, Fidel Castro renuncia Embargo dos EUA a Cuba continua sem Fidel Raúl Castro torna-se guardião da revolução Fidel volta a citar Niemeyer na renúncia Leia frases que marcaram os discursos de Fidel Artigo publicado no Granma (em português) A trajetória de Fidel Castro  Principais capas do Estadão sobre Fidel  Guterman: como a história julgará Fidel?   'Dificilmente ele deixará de influenciar'  Você acha que o regime em Cuba mudará?   Fidel Castro: herói ou vilão?    Ulises Colina, um eletricista de 65 anos, disse que não tinha certeza de que a renúncia provocará qualquer mudança em Cuba ou nos EUA. "Acho que já se sabia que sua carreira política iria terminar em breve", afirmou Colina, sobre Fidel.   A maior parte dos exilados vê Fidel como um ditador cruel que os forçou, a seus pais ou a seus avôs a deixar suas casas depois que ele tomou o poder na revolução de 1959.   Autoridades disseram que a reação da comunidade foi calma, pacífica, em contraste com as celebrações maciças nas ruas quando Fidel entregou temporariamente o poder a seu irmão Raúl em julho de 2006. A polícia estava com a atenção voltada para Little Havana, mas os moradores não se reuniam em grande número para celebrar. Quando da passagem do poder a Raúl, a comunidade acreditava que iria se cumprir a profecia de que, sem Fidel, não haveria comunismo em Cuba. Mas o tempo passou e nada mudou com Raúl no poder.   Colina acredita que qualquer mudança em Cuba terá de vir através dos militares, que têm o status de classe média na ilha comunista. "Mudanças? Bem, ele é o chefe da gangue mas ele tem um punhado de auxiliares que não querem ver nenhuma mudança", avaliou Colina.   Cerca de 1,5 milhão de cubanos e cubano-americanos vivem nos EUA, 65% na Flórida, e a maioria em Miami, segundo o censo americano. Desde que começaram a chegar, a região de Miami tornou-se majoritariamente hispânica, com bolsões de pobreza.   Especialistas em Cuba não esperam mudanças imediatas na ilha comunista, ou que Fidel irá desaparecer por completo de vista. "Não acredito que alguém tão narcisista será removido totalmente do poder", opinou Andy Gomez, do Instituto de Estudos Cubano e Cubano-americano da Universidade de Miami. "Ele vai continuar a ser consultado. O que você deve ver agora são rostos novos, mais jovens".   Hector Muntaner, de 38 anos, ouviu durante a madrugada rumores de mudanças na ilha. "Ouvi algumas pessoas imaginando se ele tinha morrido de novo", brincou Muntaner, referindo a rumores recorrentes sobre a morte de Fidel. "No que se refere às coisas por aqui, vai tudo continuar como antes", adiantou.

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