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Cubanos digerem saída de Fidel do poder com tranquilidade

Os cubanos receberam com tranquilidade,na terça-feira, a notícia sobre o afastamento definitivo deFidel Castro e preparavam-se para aprender a viver sem ocomandante que os governou ininterruptamente por quase meioséculo. Apesar de previsível após um ano e meio de afastamento dopoder devido a uma doença, o anúncio sobre Fidel ter rechaçadoneste fim de semana a possibilidade de reeleger-se surpreendeumuitos dos moradores de Cuba, onde 70 por cento da populaçãonunca conheceu outro líder. "Ai, meu Deus do céu! O comandante nos deu tudo o quetemos. Não esperava isso", afirmou, chorando, María EvaRamírez, uma dona-de-casa de 60 anos de idade. Fidel, 81, tinha transferido o poder temporariamente, nodia 31 de julho de 2006, para Raúl, irmão dele, depois de umproblema intestinal que o deixou à beira da morte. Os cubanos não voltaram a vê-lo em público. Em fotos evídeos oficiais divulgados desde então, Fidel não apareceu maisvestindo seu uniforme verde-oliva, uma marca característicadele a partir do momento em que assumiu o poder em Cuba, com avitória de sua revolução, em 1959. "Nós, os cubanos, esperávamos voltar a vê-lo, ainda quefosse por apenas um momento, a ver nosso Comandante-em-Chefe natribuna, e não para nos dizer adeus, mas para nos dizer atélogo", acrescentou Ramírez, que levava dois netos para aescola. "SOLDADO DAS IDÉIAS" Em sua mensagem de renúncia, publicada na terça-feira naprimeira página do Granma, o jornal oficial do PartidoComunista, Fidel esclareceu que, apesar de não estar em"condições físicas" de continuar no cargo de presidente, aindase encontra no "domínio pleno" de suas faculdades mentais. "Não me despeço dos senhores. Desejo apenas combater comoum soldado das idéias", afirmou. Havana amanheceu tranquila. As pessoas faziam fila nospontos de ônibus para ir ao trabalho e à escola, como qualqueroutro dia normal. Muitos nem sequer tinham ouvido falar da mensagem de Fidel,divulgada pelas rádios e pelos canais de TV estatais. Os menos surpresos pareciam ser os mais jovens. "É preciso aceitar que tudo tem um fim, que ninguém éeterno. É preciso abrir espaço para as outras gerações. Mas nãohouve nada de anormal, tudo continua como antes", afirmouAlexander Pérez, um trabalhador autônomo de 37 anos de idade. Fidel prometeu continuar publicando seus ensaios naimprensa oficial, como fez ao longo do último ano. Abigail Pupo, um taxista de 73 anos de idade, afirmou quepretende seguir lendo as "reflexões" do comandante. "Ele (Fidel) está renunciando porque sabe que deve darespaço para seu irmão (Raúl)", afirmou ao volante de seuautomóvel russo da marca Lada. "Ainda que ele (Fidel) não ocupe mais o cargo (de chefe deEstado), continuará contribuindo com seus conhecimentos e comsua experiência", acrescentou. Raúl Castro, um general de 76 anos de idade que substituiinterinamente o irmão no comando do país há quase um ano emeio, pode ser empossado em caráter definitivo na Presidênciacubana pelo Parlamento, no domingo.

ROSA TANIA VALDÉS, REUTERS

19 de fevereiro de 2008 | 13h26

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